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Racetest - Stark Varg


Texto Guilherme Lima / Fotos Nataniel Giacomozzi

A Stark Future, uma nova empresa sueca de motocicletas com sede na Espanha, fundada em 2019, é a mais recente fabricante com o objetivo de enfrentar os tradicionais modelos off-road. com motor a combustão interna. É dela a nova moto elétrica Stark Varg, que tem surpreendido o mercado mundial. Com total exclusividade, testamos essa motocicleta que faz parte do futuro do motociclismo mundial.


O mundo contemporâneo vem acompanhando a evolução dos veículos elétricos, tanto de quatro como de duas rodas, com as indústrias cada vez mais lançando modelos elétricos, que aos poucos vai ganhando espaço nas competições, como na MotoGP, com a categoria MotoE. Talvez o desenvolvimento das motocicletas elétricas não esteja tão evoluído como nos carros, mas elas estão cada vez mais presentes no mundo das duas rodas. Apesar da resistência de muitos amantes das motocicletas, os modelos elétricos são realidade, talvez ganhando maior relevância como vem acontecendo no setor de bicicletas, onde inicialmente os modelos eletricamente assistidos não eram “bem vistos”, mas hoje têm grande aceitação do público.



Já tivemos contato – e também conhecimento – com motocicletas elétricas de outras empresas, como a Zero e Alta, sem esquecer que grandes marcas, como a austríaca KTM, já oferecem modelos elétricos, tanto nas categorias de minimotos como com motores mais potentes. Recentemente, a Honda apresentou a CR Elétrica Proto, que participou recentemente do campeonato japonês de motocross, obtendo resultados interessantes. 


Mais recentemente foi lançada a Stark Varg, que oferece até 81 cv e pesa cerca de 118kg , desenvolvida pelo francês campeão mundial Sébastien Tortelli e pelo americano Josh Hill, que inclusive participou com a motocicleta elétrica Alta no Red Bull Straight Rhythm de 2016, com grande desempenho. A entrega de potência do novo modelo é completamente ajustável, gerando aceleração suave ou agressiva. A autonomia da bateria (de 6,5 kWh) é de até 6 horas de pilotagem em condução suave, numa trilha por exemplo, ou cerca de 40 minutos em uma pilotagem intensa – o tempo de uma prova de motocross. Lembramos que que muitos fatores, além do estilo de pilotagem, interferem na autonomia, como relevo da pista, peso do piloto, temperatura etc. A recarga completa, segundo a Stark, pode ser concluída de uma a duas horas, dependendo do carregador e da corrente elétrica disponível.




 

“Quando eu andei com a Stark Varg pela primeira vez, foi um passo para o desconhecido. A primeira impressão veio da resposta instantânea; foi muito mais do que eu esperava”, comentou o diretor de testes e ex-campeão do mundo e do AMA Motocross Sébastien Tortelli. “No que diz respeito à suspensão e ao chassi, imediatamente me senti em casa. Esta é uma verdadeira moto de motocross. Tive de aprender sobre energia elétrica e fiquei surpreso com a rapidez com que me adaptei e de como é divertido pilotá-la. Já fizemos bastante trabalho de desenvolvimento. O chassi é balanceado e ágil. E o baixo peso significa que você pode realmente se mover com facilidade e atacar os saltos e as seções. Sinto-me fantástico na pista e posso correr com essa moto, e é isso que pretendemos. É uma experiência incrível andar em silêncio! Você pode ouvir a forma como a moto ganha tração, o impacto das pedras e os saltos. É uma sensação incrível”, completou Tortelli.


“Como pilotos e fãs de motocross, sabíamos que o esporte estava em um estado crônico e estamos perdendo pistas na Europa todas as semanas. Parecia que o motocross estava indo para trás, enquanto o potencial de inovação com mobilidade elétrica está indo rapidamente para a frente. Nossa motivação nasceu da frustração com a cena e da necessidade de contribuir com algo que ajudasse nosso mundo e nosso entorno. Tem sido uma jornada fantástica até agora e é emocionante ver como o Stark Varg superou nossas expectativas. De uma perspectiva de negócios, também queríamos definir o padrão no motocross porque é o maior desafio para materiais e ideias técnicas antes de passarmos a produzir uma linha completa de motocicletas on e off-road. Os pilotos vão adorar todo o potencial da Stark Varg e a quantidade de diversão ‘limpa’ e fácil que ela oferece. Nosso objetivo era produzir algo mais verde e melhor, e acreditamos que qualquer pessoa que experimentar a moto concordará que alcançamos nossa visão”, disse Anton Wass, CEO e cofundador da Stark Future.



Segundo a fabricante, o modelo foi construído do trem de força ao chassi, para funcionarem perfeitamente juntos e otimizando cada componente para seu propósito. É a prova física de que uma moto elétrica de motocross pode superar seus equivalentes de motor de combustão em todos os sentidos. A Varg teve seu desenvolvimento há dois anos e possui motor silencioso de 81 cv de potência em comparação com cerca de 61 para as motos de motocross de 450cc mais potentes, isto é, 30% mais do que qualquer 450 – e com o dobro de torque. 


O powertrain é cercado pelo sistema de bateria, de produção da Stark, que é um dos mais compactos e ‘densos em energia’ do mundo, ostentando 6,5 kWh com menos de 32 kg. Com tecnologia e ideias avançadas, a bateria, com estrutura de células hexagonais, fica em uma caixa de magnésio, com sistema de alívio de pressão. E a tecnologia Flying V, da Stark Varg, conecta todas as células diretamente à caixa resistente e à prova d'água, além de otimizar o centro de gravidade. Isso traz alta condutividade para a estrutura resfriada a ar, e o resultado é uma temperatura da bateria muito uniforme e regular – e sem o peso de um resfriamento líquido. 



Por meio do brilhante aplicativo Stark Future – contido no smartphone/painel Stark Varg Phone, à prova d'água e resistente a choques, mantido no lugar por um novo e robusto acessório – a curva de potência, a frenagem com motor, o controle de tração e o peso virtual do volante do motor podem ser ajustados em alguns segundos. É possível armazenar até 100 modos de condução, sendo cinco deles selecionáveis através de um botão no guidão. O painel de instrumentos (Android), quando bloqueado na sua posição, carrega e comunica sem fios, mas ao ser retirado da moto, pode ser usado como um smartphone. Mas você pode transferir os dados da sua pilotagem para outros dispositivos (Android e iOS), se conectar à internet (em mais de 150 países) e analisar os dados como tempo por volta, força G, velocidade, tempo de salto ou “airtime”, além de compartilhar percursos ou modos de pilotagem com os amigos, verificar o nível de carga da bateria e estimativa de autonomia e algumas facilidades de navegação. Mas algumas desses recursos só estão disponíveis através de um plano de assinatura premium.



Como toda a moto, o chassi foi desenvolvido internamente e usa o motor como elemento da estrutura. O chassi é bem pequeno e leve (menos de 6 kg), de aço cromo-molibdênio, com subchassi dianteiro de fibra de carbono, que suporta o para-lama dianteiro e o assento, otimizando a ergonomia sem flexões desnecessárias ou indesejadas, e com seu desenho canalizando o fluxo de ar para a bateria, motor e radiador localizado embaixo do assento. O subchassi tradicional é de alumínio aeronáutico. E uma carroceria revitalizada prioriza ergonomia, conforto e desempenho. A balança é de alumínio. 


A suspensão é da Kayaba, desenvolvida para a Stark em conjunto com a Technical Touch, com 310 mm de curso. Os freios são da Brembo, com discos da Galfer – 260 mm de diâmetro na frente e 220 mm atrás. No fim, a distância livre do solo é 60 mm. Destaque também para as mesas (forjadas e usinadas - CNC) em alumínio (7075, T6), cubos das rodas de alumínio (usinadas, CNC, 6082, T6), aros de alumínio (7050, T6), raios de aço de alta qualidade feitos na Itália e pneus Pirelli MX32. Há ainda um inovador ajustador de corrente com sistema de clique (eliminando a medição), que no lado direito apresenta a porca do eixo da roda integrada, eliminando a protuberância de uma porca tradicional, que pode ser atingida em cavas profundas ou pedras. Até os pedaleiras são especiais: peças fundidas em aço inoxidável especial, material resistente a ferrugem que é 40% mais resistente do que titânio ou aço cromo-molibdênio, e são mais leves do que qualquer pedal de modelos de série. O processo de instalação também é simples, pois a Stark eliminou a necessidade de um pino de trava.


COMPORTAMENTO - Depois de conhecer as características do modelo, chegou a hora da “prova de fogo”, de colocar essa novidade no seu habitat e conhecer seu comportamento e capacidade. Para isso, contamos com o trabalho profissional de Nataniel Giacomozzi, fotógrafo e amigo.



“Tive a oportunidade de andar e testar o modelo durante três dias em duas pistas diferentes. Fazia tempo que eu não sentia aquela ansiedade antes de um teste, estava muito curioso sobre sua performance. Já tinha visto vários modelos lançados anteriormente, mas nada me surpreendeu. Mas fiquei muito surpreso com a performance da Stark. A primeira impressão é que a moto é muito estreita e tem um acabamento impecável. Assim que recebemos a moto e a tiramos da caixa, pudemos ver a atenção dada aos detalhes. Peças de alumínio usinadas, pedaleiras superleves e até partes em fibra de carbono.


Quando cheguei na pista, senti a moto um pouco pesada enquanto movimentei ela, por exemplo tirando do box van e colocando no cavalete. Mas essa sensação foi embora quando entrei na pista. Andei umas voltas antes com a minha 450, para reconhecer a pista e mesmo para ter base de comparação com a Stark. Pelo incrível que pareça nas primeiras voltas já me senti confortável na moto, saltando com facilidade e surpreso com a facilidade também na pilotagem.

 

A moto tem muitas opções de regulagem, tanto na potência quanto no freio motor. Comecei respeitando bastante, com 35 cv e 50% no freio motor, configuração que deixa a potência um pouco menor que uma 250, mas o freio motor fica muito solto, menos do que uma dois tempos. Fui andando e testando vários mapas e configurações, e posso dizer que a partir de 50 cv a moto fica muito forte, transmitindo a sensação de ser mais forte que uma 450. Isso se deve à forma que a potência é entregue. Afinal, não tem embreagem nem câmbio para dosar ou controlar, todo o controle está na mão direita, no acelerador. Acima dos 50 cv tem que ter uma pilotagem bem mais suave e dosada, pois se enfiar a mão de uma vez, a entrega de potência é instantânea e a moto pode sair debaixo.

 

Depois de andar várias vezes e modificar bastante os mapas, cheguei num acerto bom e confortável para a minha pilotagem: 47 cv e 65% de freio motor, um freio pouco menor do que a minha 4 tempos. 


Falando da performance em geral, a moto é muito estreita – achei até demais nas primeiras voltas – e a tração é ótima nas curvas, deixando a frente bem grudada e proporcionando bastante segurança. Vale ressaltar é mais fácil pilotar e o piloto cansa menos, porque não é preciso se preocupar com embreagem e marcha correta, principalmente nas curvas e canaletas. 



Os freios são da Brembo, os mesmos da KTM, que são reconhecidamente os melhores do mercado, com performance precisa. As suspensões são Kayaba, as mesmas da Yamaha, extremamente boas, super testadas e a única que se manteve com molas todos esses anos. Então, são super precisas e estão perfeitamente reguladas para a geometria e peso da moto.


Uma questão que todos querem saber é o quanto dura a (carga da) bateria. Na pista onde andamos, com diferentes mapas e treinos de 15 minutos em média, a bateria foi de 96% para 10% em 1h15. Quando chega em 10%, a moto entra em um modo ‘segurança’, diminuindo a potência para que o piloto voltar para casa, se ele estiver em uma trilha, por exemplo. Levamos um gerador de 220 V e pudemos recarregar um pouco. O carregamento é parecido com a bateria de celular, atingindo de 50% a 60% mais rapidamente. Nesse caso dos 7% aos 56% foram necessários cerca de 60 minutos. Para recarregar totalmente a bateria (em 220V), o tempo gira em torno de 2h30.


Resumindo, gostei bastante da moto. Acredito realmente que em pouco tempo veremos motos elétricas de outras marcas. Mas a Stark está na frente no momento, com uma moto muito boa, de ótima performance, totalmente competitiva. Assim que os regulamentos permitirem sua entrada nas competições, acredito que veremos muitas delas. 


Falando sobre a compra da moto, é possível escolher alguns itens: cor (branca, vermelha ou cinza), aro traseiro (18 ou 19 polegadas), freio traseiro (se manete ou pedal), descanso lateral (com ou sem), potência (60 ou 80 hp) e setup da suspensão (acerto e molas conforme o peso do piloto, que pode escolher outro ‘nível de peso’ de acordo com sua pilotagem ou se enduro ou motocross). Muito legal e customizada! As motos serão comercializadas pela Three Brothers Racing (www.3bros.com) nos Estados Unidos, especificamente na Califórnia.


Muitos ainda não veem com bons olhos as motocicletas elétricas de competição, alegando que a falta do forte e poderoso som do motor a combustão é preocupante, mas se você considerar que Stark Varg tem grande performance e que a pilotagem suave ao agressivo possa ser gerida com muita facilidade, podemos considerar a mudança a opinião, afinal de contas o mundo afirma que esse é o futuro, que os veículos elétricos são a solução de muitos problemas. Da minha parte, posso dizer que o modelo me impressionou, que ele realmente tem performance e é divertido e fácil de pilotar. Nos Estados Unidos, o modelo custa um pouco mais de 13 mil dólares, e tem lista de espera.


ESPECIFICAÇÕES 

Motor: Stark Varg, 360 V, cárter c/ arrefecimento líquido

Potência: 81 cv

Torque: 95,6 kgfm (na roda)

Modos de condução: mais de 100

Ajustabilidade: curva de potência, freio motor, efeito volante do motor e controle de tração

Bateria: Stark Varg, 6,5 kWh

Autonomia: até 6 horas

Tempo de carregamento: de 1 a 2 horas

Suspensão: KYB, 310 mm de curso (dianteiro e traseiro)

Freios: Brembo, discos Galfer com 260 mm (diant.) e 220 mm de diâmetro

Peso: 118 kg 






































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