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Race Test Dirt Action - Kawasaki KX 250 2021


Fotos Celestino Flaire Jr.

Indiscutivelmente, uma das motocicletas com maior número de vitórias nos campeonatos americanos de supercross e motocross na categoria 250 é a Kawasaki: 18 e mais de 180 vitórias em corridas. Nos últimos anos, o modelo se mostrou muito competitivo, com um motor forte e muita maneabilidade. Depois da renovação da KX 450 em 2019, quando foi totalmente renovada e ofereceu partida elétrica e embreagem hidráulica, os fãs da marcas aguardavam ansiosamente essas novidades na 250. Pois três anos depois o desejo foi atendido pela fábrica, em um modelo 2021 totalmente renovado, com todos os atributos do modelo de maior cilindrada.


O motor ficou mais potente, suspensões e freios foram aprimorados e o novo chassi trouxe mais agilidade, criando o que há de melhor num pacote de grande desempenho. A bateria de íon-lítio, leve e compacta, contribuiu para manter o peso baixo.



Seguindo ponto a ponto, o visual segue o da KX 450, ganhando novas aletas dos radiadores – com gráficos integrados às peças –, que oferecem melhor posicionamento das pernas, novos number plates e para-lamas. Foram mantidos os aros pretos, assim como a tampa do óleo e outros itens em dourado – particularmente, prefiro verde. A aparência ficou mais moderna e agressiva.


Uma nova caixa do filtro de ar é acessada pelo number plate esquerdo, fixada com parafusos de medidas diferentes (8 e 10 mm). Ainda para melhorar o fluxo de ar, o duto tem novo posicionamento, permitindo um fluxo mais direto, aumentando a eficiência e, consequentemente, a potência do motor. Mais à frente, o funil cônico e mais curto apresenta dois injetores – a Kawasaki foi a primeira a utilizar essa configuração.


O Ergo-Fit permaneceu e é possível regular a posição do novo guidão da Renthal, modelo Fat Bar (sem barra central), em quatro opções, e as pedaleiras em duas posições, permitindo o melhor posicionamento de qualquer piloto.


O novo chassi teve como plataforma o do modelo de 450 cc, com melhorias contribuindo para a maneabilidade. Ele é composto por partes forjadas, estrudadas e fundidas, oferecendo melhor rigidez nos pontos chaves (caixa de direção, trilhos e seções transversais) e também certa flexibilidade, visando melhor tração. O braço oscilante também foi redesenhado, mantendo o design da irmã maior, visando tornar a nova 250 mais ágil.



A nova KX traz garfo Kayaba de 48 mm de diâmetro e 314 mm de curso, com a superfície dos tubos recebendo revestimento especial Kashima, para baixa fricção e maior resistência a riscos. A suspensão traseira trabalha com sistema Uni-Trak, com amortecedor traseiro também Kayaba e link posicionado mais abaixo, visando melhor tração, absorção de impacto e controle. A roda traseira ganhou 316 mm de curso. O garfo oferece regulagem (cliques) de compressão e retorno, assim como o amortecedor, que apresenta regulagem separada para compressão de alta e baixa velocidades, além de ajuste de pré-carga da mola.


O sistema de freios é comporto por disco dianteiro de 270 mm de diâmetro, em formato de pétala e com pinça de dois pistões. O cilindro mestre é novo, igual ao da 450. Já o disco traseiro tem 240 mm de diâmetro, com mesmo formato de pétala e pinça de pistão único.


Apesar do motor ter sido modificado na versão anterior da KX, com um aumento significativo de potência, o propulsor da 2021 recebeu alterações adicionais que aumentaram ainda mais a potência, inclusive nas baixas rotações. Segundo a fábrica, o novo motor, que utiliza tecnologia oriunda dos modelos da marca no Mundial de Superbike, gera até 1,4 cv a mais na faixa de rotações, que chegam a 14.500 rpm. Contribuem também para o melhor desempenho o cilindro deslocado 3 mm para a frente, reduzindo a perda mecânica; virabrequim revisado, com mancais lisos de baixa fricção que ajudam a reduzir perda mecânica; válvulas de titânio de admissão e escape com diâmetro maior e novas molas; tensor da corrente comando instalado no cabeçote, compensando as cargas; câmara de combustão revisada; e pistão mais plano com saia curta, nervuras externas, reforço interno e mais leve, que segundo a fábrica é o mesmo utilizado nas motocicletas de competição.



Quanto à eletrônica, possui sistema de largada KLCM (Kawasaki Launch Control Mode), para melhor tração em pisos de baixa aderência, e três plugues (DFI), com substituição sem necessidade de ferramentas, sendo o de cor verde o standard, o branco (soft), para pista com lama ou terreno fofo, e o preto (hard), para terrenos mais compactos, que suaviza a entrega de potência.


Como antecipado, duas grandes novidades do modelo são a esperada partida elétrica e a embreagem hidráulica – é a primeira moto de 250 cc da Kawasaki com esse sistema. A embreagem utiliza mola de arruela Belleville, que oferece melhor sensibilidade/modulabilidade e acionamento mais leve da manete, reduzindo a fadiga e a folga da embreagem quando o sistema esquenta com o uso extremo do motor.


Apesar da grande elevação do câmbio com a pandemia, o preço modelo subiu bem menos. A KX 250 2021 está sendo comercializada por R$ 45.990 (preço público sugerido, sem frete), com entrega prevista a partir de 2021. Adiantamos, contudo, que são poucas as unidades oferecidas. Então, recomendamos você reservar a sua nova KX 250 o mais rápido possível, caso contrário estará entre aqueles que queriam mas ficaram sem a novidade da Kawasaki.


ACELERANDO A NOVIDADE - Depois da apresentação da nova KX 250, fomos convidados para acelerar esta motocicleta, no Circuito Pan-americano. Desta vez nós contamos com o nosso colaborador Philemon “Filé” Vareda, campeão paulista e preparador experiente do setor. Confira a seguir as sua impressões.



"Sou proprietário de uma Kawasaki KX 250F 2020, que me surpreende pelo seu desempenho e performance. Mas, depois de andar com a 2021, descobri que tudo pode ser melhorado. A motocicleta é surpreendente, acredito que nunca havia andado em um modelo 250 de série tão perfeita. Apresenta atributos positivos em todos os quesitos: motor, dirigibilidade, suspensão e freio.


Baseado na 450, sua aparência ficou mais moderna e agressiva. O acesso à nova caixa de filtro é lateral, mas os dois parafusos para retirar o number plate poderiam ter a mesma medida, evitando a necessidade de duas chaves para retirar a peça.


Ao sentar na motocicleta, percebe-se que é um modelo totalmente diferente do anterior. Você fica mais à frente, graças às novas posições das pedaleiras e guidão e ao novo banco, mais plano e com mais grip. A impressão é que a KX ficou mais estreita e compacta, permitindo muito movimento durante a pilotagem. Você realmente se encaixa na motocicleta. Tanto no chão como no ar, é muito fácil pilotar a nova 250. Tem-se a sensação de que ela é bem leve, com muita maneabilidade. E o novo guidão Renthal, modelo Fat Bar, sem a barra central, pareceu minimizar mais os impactos.


A partida elétrica era, talvez, o item que todos aguardavam, e com sua inclusão, a Kawasaki ganhou pontos diante dos oponentes. O mesmo vale para a embreagem hidráulica, que funciona melhor e elimina a necessidade de regulagem durante o treino ou corrida, como acontece com o sistema a cabo.


O motor me impressionou bastante, ele está mais forte, mas mantendo a entrega de potência progressiva. Mesmo em tratando-se de um modelo original, ele foi perfeito em todas as faixas de rotação, com força desde a baixa e média, tanto que quase não utilizei a embreagem para manter os giros. Este motor me pareceu o mais forte da categoria que pilotei até hoje.


Gostei bastante do sistema de suspensão, bem melhor do que na versão anterior, com funcionamento bem suave no primeiro estágio e mais firme do meio para o final, e isso sem realizar nenhum acerto ou preparação. A ação mais suave e progressiva permitiu melhor pilotagem. Vale pontuar que a mesa inferior foi redesenhada, para oferecer mais rigidez, maior absorção de impactos e reduzir o peso. Realmente o conjunto se mostrou bem equilibrado, passando muita confiança e segurança, e acredito que vai agradar pilotos de qualquer nível, desde o intermediário até o mais experiente.


Os freios têm o mesmo funcionamento do modelo anterior, ou seja, são perfeitos, sem exigir força no acionamento, mesmo nas frenagens mais bruscas. Eles não têm ação “borrachuda”, e oferecem muita sensibilidade. Com melhor controle dos freios, é possível aproveitar toda a força do motor.


Apesar do pouco contato com a motocicleta, ficou claro que os engenheiros da Kawasaki acertaram em todas as mudanças implementadas na nova KX 250. Sem crítica, posso afirmar que ela é perfeita. Ela realmente impressionou e acredito que deve ser uma das melhores em sua categoria, pela agilidade incrível, leveza e compactação, poderoso motor para uma 250 cc, suspensões e freios com ótima performance, e agora com partida elétrica e embreagem hidráulica. É difícil encontrar alguma coisa errada nesta motocicleta. A Kawasaki construiu uma motocicleta de alto nível de tecnologia e DNA de moto vencedora. E o preço ainda continua acessível, apesar do aumento se comparado com a da versão anterior”, finalizou Filé.


Com certeza este novo modelo foi desenvolvido com base em toda a experiência da marca nas competições mundiais de mais alto nível. Motor poderoso, partida elétrica, embreagem hidráulica, chassi estreito, conjunto leve e ágil, facilidade de movimentação do piloto, sistema de suspensão com grande desempenho e gerando maior tração e freios que oferecem confiança e segurança que tornam a KX 250 2021 uma motocicleta perto da perfeição.


ESPECIFICAÇÕES

Motor: monocilíndrico, DOHC, refrigeração líquida

Cilindrada: 249 cc

Alimentação: injeção eletrônica Keihin, corpo de 44 mm

Transmissão: 5 velocidades

Chassi: em alumínio, berço semiduplo

Suspensão dianteira: Kayaba, invertida, 48 mm de diâmetro, 315 mm de curso

Suspensão traseira: Uni-Track, amortecedor Kayaba, 315 mm de curso

Freio dianteiro: disco semiflutuante, 270 mm de diâmetro, pinça c/ 2 pistões

Freio traseiro: disco, 240 mm de diâmetro, pinça com pistão único

Tanque: 6,2 L

Peso (total): 107,3 kg























































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