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Entrevista - Henrique Henicka


Fotos Idário Café

Henrique Henicka acaba de ocupar uma vaga na equipe Honda. Ele correrá na categoria MX2. Escolhido através da seletiva HTT (Honda Talent Test), o piloto mostrou grande potencial sobre a moto e agora se prepara para viver um dos maiores desafios na carreira: fazer parte de uma equipe oficial de fábrica!


Apesar da pouca idade, o gaúcho de Lajeado é firme nas palavras e sabe muito bem o tamanho da responsabilidade que carrega a partir de agora. Logo após ser escolhido, conversamos com ele para que todos possamos conhecer um pouco mais do piloto que está na principal vitrine do motociclismo. Com vocês, Henrique Henicka!


DA – Poderia nos contar um pouco da sua história e quando começou no esporte?

HENRIQUE – Nasci na cidade gaúcha de Lajeado, cerca de 120 km da capital, Porto Alegre. Minha experiência com as motos começou aos oito anos de idade, apenas por diversão. Pouco a pouco, fui evoluindo no esporte e logo os resultados começaram a surgir. Meus amigos e familiares começaram a me incentivar e a dizer que eu tinha jeito para ser piloto.


Fale um pouco dos títulos que conquistou.

Já no primeiro ano competindo, fui vice-campeão gaúcho e depois somei mais quatro títulos estaduais. Em 2016, conquistei o título brasileiro na categoria 85 cc. Foi uma trajetória bem agitada e, felizmente, vencedora.


O Rio Grande do Sul tem a fama de revelar bons pilotos. Tem alguma razão para isso?

Sim, é bem verdade que o Sul sempre revelou bons pilotos, inclusive a minha cidade. Não existe uma explicação lógica para isso, talvez seja a água da região (risos)! O que acontece lá é que a maioria dos pilotos gosta muito do motociclismo e talvez isso seja o maior motivo para continuarmos revelando novos talentos.



Ser de Lajeado, a mesma cidade do Enzo Lopes, o melhor piloto brasileiro da modalidade, influenciou você de alguma forma?

Eu e o Enzo éramos bem próximos e, por sermos conterrâneos, muita gente pensa que isso tem algum peso na minha carreira. Na verdade, temos formas diferente de competir. E o fato dele ser um grande atleta não atrapalha em nada, pelo contrário, me incentiva a ser tão rápido quanto ele. Além disso, temos uma leve diferença de idade e ele começou a competir mais cedo do que eu.


Fale um pouco sobre a sua família. Alguém lhe influenciou ou anda de moto?

Tenho duas irmãs, uma com 22 anos e outra mais nova, com 12 anos, ou seja, sou o do meio. Apenas eu ando de moto em casa. Meu pai andou bastante na sua juventude, mas nunca competiu, era apenas lazer. Apenas eu escolhi essa profissão na minha família, que por sinal me apoia muito.


Seguindo para o momento da grande virada na sua carreira, como você recebeu o convite para participar no HTT?

Foi um momento inesquecível para mim. Estava em casa, assistindo uma série deitado na cama quando, de repente, o telefone tocou. Era o Calle (chefe da equipe Honda de motocross). Ele disse: "Alô, tudo bem aí? Então, queria te convidar para fazer parte do programa HTT, você topa?”. Fiquei meio atônito e até sem resposta imediata, mas segundos depois aceitei o convite. E ele continuou: "Hoje é dia 5 de março, o teste acontece daqui dez dias. Venha para Curitiba, te esperamos aqui. Tchau". Após desligar, fiquei pensando na ligação, tentando entender o que estava acontecendo e a pensar como iria me preparar em dez dias. Mas deixei isso de lado e comecei a pensar que era uma grande oportunidade batendo na minha porta. Precisava ir lá e mostrar apenas o que eu sabia, nada mais.


Sobre o dia do teste, como foi a sensação de estar disputando um lugar na principal equipe do Brasil?

Impossível não ficar tenso, sabendo que em jogo estava uma vaga na principal equipe do país. Ao mesmo tempo, sabia que não era apenas um teste de habilidade com a moto, era também um teste psicológico, para saberem como cada um encarava uma situação assim. Mantive a calma e andei de moto pensando que era mais um dia comum, embora não fosse. Deixei tudo fluir, sempre pensando em aproveitar da melhor maneira possível. Um dos momentos mais interessantes foi quando entrei numa sala e lá estavam os outros três integrantes do time. Haviam quatro camisas do time oficial, mas uma delas não tinha numeral nem nome. Num tom bem sério, eles me perguntaram o quanto eu estaria disposto a colocar meu nome naquela camisa. Respondi que faria de tudo para isso acontecer e eles me disseram para ir lá e fazer o que eu sabia! Saí motivado da sala e naquele momento comecei a sentir o espírito de equipe.


Como foi receber a notícia que tinha sido o escolhido? Foi uma grande surpresa?

Ao terminar os testes físicos e depois com a moto, ficamos todos aguardando o final de uma longa e interminável reunião – com os pilotos, o chefe de equipe e a direção da Honda – para chegarem ao nome do escolhido. Todos tinham andado bem e forte, e imagino que foi uma missão difícil escolherem um nome. Já estava começando a escurecer quando a reunião acabou. O Calle saiu com uma camiseta na mão e começou a falar. Ouvia tudo, mas eu estava tenso. E então ouvi que o escolhido tinha sido eu. Coloquei a mão no rosto, respirei fundo e levei algum tempo para acreditar naquele momento que estava acontecendo na minha vida. Acho que foi a primeira grande mudança na minha vida!



Uma vez escolhido, o que mudou na sua rotina? E como os seus antigos patrocinadores receberam a novidade?

Mudou muito a minha rotina desde que fui escolhido. No dia seguinte eu já participei de uma sessão de fotos com a equipe, acertei detalhes na moto e comecei a viver a experiência de trabalhar para uma grande equipe. Além disso, a preparação física foi totalmente alterada em relação ao que estava acostumado. Passei a fazer atividades como a natação, que é apenas uma das atividades planejadas pelo nosso preparador físico Zinho, uma cara muito experiente na condução de atletas. Com relação aos meus patrocinadores, todos entenderam plenamente a oportunidade que estava chegando e ficaram felizes pela conquista, afinal eles contribuíram de alguma maneira para que chegasse onde cheguei.


O veterano piloto Thales Vilardi te ajudou muito durante o período pré-HTT. Como é a sua relação com ele?

Minha relação com o Thales tem pelo menos uns cinco anos. Ao longo desse período, ele me ajudou a evoluir como piloto, ensinando cada passo que se deve tomar para conquistar vitórias. Eu tenho uma admiração muito grande por ele também como pessoa, como ser humano. Mesmo sem ter o HTT como objetivo, já estávamos trabalhando juntos na pré-temporada, e isso ajudou muito na hora dos testes. Devo parte desse sucesso a ele, que me acompanhou nos testes.


Você já começou a treinar com o time Honda? Encontrou alguma dificuldade com a nova moto?

Olha, para ser sincero, não tive tanta dificuldade em me adaptar à nova moto. A Honda CRF 250R é uma moto fácil de andar e com poucas horas em cima dela já me senti familiarizado. É claro que alguns ajustes finos serão feitos ao longo do tempo, isso é normal. Treinei com o time e juntos já disputamos a etapa de abertura do Paranaense de Motocross, que foi um treino excelente para a temporada.


Quais são os seus planos para temporada 2021, depois dessa grande virada em sua carreira?

Em primeiro lugar, estou muito satisfeito por ter alcançado esse lugar. Muitos pilotos trabalham pra isso e sabem o como é difícil chegar aqui, mas não imaginam o quanto fica ainda mais duro quando está no time. A camisa vermelha da Honda é incrível, mas vem com uma responsabilidade enorme dentro dela, é preciso estar bem consciente disso.


Aproveito para agradecer imensamente a minha família, que sempre me apoiou e esteve ao meu lado nas conquistas da minha vida. Sem ela, nenhum sonho seria possível. Quero agradecer aos patrocinadores antigos, que me ajudaram e entenderam o grande momento da minha carreira. Muito obrigado a cada um deles, pela compreensão e apoio. E também aos novos patrocinadores, que chegaram com a Honda. Obrigado a todos eles, farei de tudo para levá-los ao lugar mais alto do pódio!





























































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