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Entrevista - Carlos Campano



Ele é multicampeão brasileiro e, depois de se aposentar do Campeonato Brasileiro, voltou para a Espanha e agora ministra cursos e colabora na preparação de pilotos brasileiros na pré-temporada.


Mas nesta temporada ele decidiu encarar um dos seus maiores desafios, de montar e chefiar uma equipe contando com um piloto brasileiro para competir no Europeu de Motocross, a porta de entrada para o Mundial.


E, em parceria com a Yamaha Brasil e Alan Douglas, surgiu a Yamaha 115 M78, e o piloto é ninguém menos que o atual campeão da MX2, o mineiro Bernardo Tibúrcio, que abandonou a família e a carreira nacional para competir na Europa.


Campano, a equipe e Tibúrcio já enfrentaram as primeiras provas do Europeu e do Espanhol, onde conquistaram grandes resultados. Portanto, decidimos conversar com Campano para sabermos mais sobre seu novo desafio.


DA – Como surgiu a oportunidade de fazer uma parceria com a Yamaha, ao montar a equipe 115 M78?

CAMPANO – Foi algo muito orgânico. Com a Yamaha Racing Brasil já vínhamos trabalhando a relação com a Europa, para sermos mais competitivos no Brasileiro de Motocross. Essa relação acabou sendo muito positiva e produtiva para os dois lados, e daí surgiu a possibilidade de levar para o motocross brasileiro algo parecido com o que a Yamaha já tem no World Superbike: uma equipe com as melhores condições para que nossos pilotos possam realizar o sonho de competir no Mundial.


Como é a estrutura da equipe e quantas pessoas estão envolvidas neste novo projeto?

Ainda estamos nos primeiros meses de funcionamento, mas a estrutura já é bem grande. Temos caminhão de corrida, galpão, oficinas, mecânicos, motorista, parte para a imprensa… E eu mesmo cuido um pouco de tudo.


O Alan Douglas está dando suporte total em todas as áreas, a Yamaha Racing Brasil conta com uma equipe que atende todas as necessidades que vão surgindo e nos orienta no caminho. E a Yamaha Europa nos apoia com material e também na parte das corridas.


É um projeto enorme e tenho muito orgulho de que a Yamaha Racing Brasil tenha confiado na gente para colocá-lo em prática.


O Tibúrcio está com uma nova motocicleta, a Yamaha YZ250F. Como foi a adaptação dele com a moto?

Ele tem um talento enorme e a moto é bastante competitiva. Ainda está evoluindo e enfrentando novos desafios em pistas e situações diferentes para ele, mas a adaptação à moto foi praticamente imediata. Em poucos dias, já parecia um piloto Yamaha desde sempre.


Como foi a pré-temporada e como ele está se adaptando à vida na Europa?

Como todo projeto novo, o início foi uma loucura, principalmente para mim. Para o Bernardo, acredito que tenha sido um pouco mais fácil, mas não deixa de ser uma situação nova viver longe da família, em outro país, com um fuso horário diferente.


Acho excelente a atitude dele. Ele abraçou esse desafio com muita vontade e está 100% focado. Escuta cada conselho com a mente aberta, e está sendo um prazer trabalhar com ele. Não é só um grande talento, é também muito disciplinado e tem os objetivos bem claros.


O Tibúrcio já participou no Campeonato Espanhol. Como avalia a participação dele no campeonato?

O Campeonato Espanhol é muito forte, com muitos pilotos rápidos. O objetivo é dar ao Bernardo o máximo de oportunidades, para experimentar pistas, condições e adversários diferentes, e ganhar experiência o mais rápido possível. Ele já subiu ao pódio e fez corridas muito boas, melhorando a cada entrada na pista. Acredito que já pode brigar pelo título logo neste primeiro ano.


Tibúrcio foi bem nas duas primeiras etapas do EMX250 e ocupava a terceira colocação no campeonato. Esperava esse desempenho já nas primeiras etapas?

Pelo desempenho dele nos treinos, eu sabia que não estaria longe dos melhores, mas achei que talvez levaria um pouco mais de tempo para entrar na disputa direta. Então, foi uma surpresa, mas não totalmente. Claro que vão existir momentos mais difíceis, é um ano de muito aprendizado. O importante é não baixar a guarda e aprender com cada situação, com cada circuito, para se tornar um piloto completo.


E qual é a expectativa quanto ao Tibúrcio nesta temporada de estreia no Europeu?

O objetivo este ano é aprender. É uma mudança muito grande sair de casa, ir para outro continente e competir no mais alto nível fora do seu ambiente. Então, o mais importante é dar apoio e tranquilidade para que ele evolua e construa uma carreira longa e de sucesso no Mundial. Da nossa parte, vendo o seu esforço, sabemos que vai dar muito certo. Ele já mostrou que o pódio é uma realidade, então, por que não sonhar?


Este é o seu primeiro ano gerenciando uma equipe. Como é executar essa tarefa?

É realmente muito complicado. São muitos aspectos para cuidar e muitas pessoas envolvidas. A cada dia fica mais fácil, mas montar uma equipe desse nível do zero, em tão pouco tempo, foi um grande desafio. Agora eu já estou conseguindo aproveitar mais, e chegou a parte que a gente mais gosta: as corridas!


Para finalizar, como é trabalhar com o Tibúrcio?

É realmente fácil trabalhar com ele. Ele treina muito, é disciplinado, tem muito talento, é educado e tem a cabeça no lugar. É uma grande pessoa e valoriza a oportunidade. Por outro lado, ter um piloto assim também traz uma grande responsabilidade para a equipe. Sabemos que não podemos falhar e, por isso, trabalhamos ao máximo. Mas é um desafio que eu adoro: poder dar a ele aquilo que talvez eu nunca tive no Mundial, para que ele possa realizar os seus sonhos.


Foto Miguel Campano


 
 
 

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