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Entrevista - Bruno Crivilin


O capixaba supercampeão brasileiro de enduro, Bruno Crivilin, teve a oportunidade de competir no Mundial de Enduro por quatro anos e retornou definitivamente para o Brasil, teve grandes mudanças em sua carreira na temporada passada, se transferindo para uma nova categoria no enduro e acelerando uma nova motocicleta, de 450cc, e passando a competir também no Brasileiro de Rally.

 

Ele também participou no Six Days e no Latino-americano de Enduro, prova que aconteceu junto à última etapa do Brasileiro da modalidade, em Patrocínio (MG). Depois de uma temporada tão intensa, conversamos com o campeão brasileiro para saber mais sobre essas mudanças em sua carreira e como foram suas participações nos eventos internacionais.


DA – Você participou no Brasileiro de Enduro no ano passado em uma nova categoria com uma nova motocicleta, a Honda CRF 450RX. Como foi essa mudança?

CRIVILIN – Sim, a gente optou por competir de 450 na categoria E2, foi o meu primeiro ano de 450 também na equipe Honda Racing. Eu havia andado nessa categoria em 2017, mas não de 450, porque ela permite de 250 até 450 cilindradas. Eu gostei bastante, a moto é bem rápida, nos trechos mais abertos ela anda muito. Por isso mesmo, exige um pouco mais em alguns pontos, como fisicamente. Quando me senti bem preparado na parte física, foi perfeito.


Um tempo após a minha queda no Sertões, eu perdi parte desse condicionamento e, então, sofri um pouco. Mas depois que me senti ativo de novo, a moto ajuda muito. Nos trechos mais travados, é preciso saber controlar tamanha potência, já que a moto quer andar sempre para a frente. Eu curti muito ter andado com a Honda CRF 450RX. 


Além do Brasileiro de Enduro, você competiu no Brasileiro de Rally. O que lhe levou a participar nesse campeonato?Eu participei nos dois campeonatos, o Brasileiro de Enduro e o Brasileiro de Rally Raid, no qual foi a minha estreia. O rali era uma modalidade que vinha pensando em começar a praticar havia algum tempo. Eu acho que é natural alguns pilotos de enduro, quando ganham certa experiência, migrarem para o rali, e sentia que queria isso também. Conversei muito com o Dário Júlio (chefe da equipe Honda Racing de Rally Raid), por alguns anos, até que a hora chegou. Acho que foi uma decisão bem tomada, tivemos um ano muito positivo e deu tudo certo. Foi um ano de adaptação, aprendi muita coisa e não imaginava que conseguiria andar no ritmo dos primeiros colocados logo na temporada de estreia. Foi uma surpresa para mim. Mas, realmente, o rali demanda muita experiência e competir ano após ano vai me ajudar muito.



Teve muitas dificuldades para se adaptar à motocicleta de rali?

A moto de rali, a base dela, é uma Honda CRF 450RX, como a do enduro, no chassi e motor. A moto de rali ganha mais peso porque tem o tanque traseiro, o tanque dianteiro, que é maior, e a torre, onde fica a parte da navegação. Então, acaba mudando o setup de suspensão. Claro que a velocidade no rali aumenta bastante. Eu não tive tanta dificuldade na adaptação, mas no rali é preciso entender muito o quão a moto freia ou a retomada dela, porque às vezes você está muito rápido e tem que antecipar bem a freada, pelo peso que ela ganha. Eu me diverti bastante em cima da moto e a adaptação não foi tão difícil. Mas requer treino e ter bastante contato com ela. Eu gostei muito.


E como avalia sua estreia no rali? Quais foram as maiores dificuldades?

Eu avalio minha estreia no rali bem positiva. É uma modalidade bem rápida, algo que eu gosto muito no enduro – lógico que a velocidade é diferente. O enduro é muito, digamos, em cima da velocidade, e o rali tem a parte da navegação, que é algo que eu também gosto muito das provas de enduro de regularidade. São navegações diferentes, mas a base ajuda muito. Então, acho que foi uma estreia positiva. Cheguei a liderar o início do campeonato na geral já nesse primeiro ano, então acho que foi muito bom. A dificuldade foi que realmente é preciso ter mais experiência em relação às provas. Conta um pouco já ter andado nas provas porque todo ano são basicamente as mesmas etapas. É importante já ter andado naquele tipo de terreno, ter mais noção de como é o ritmo de cada prova. Acho que senti um pouco isso, não tenho dificuldade na navegação, mas sim em algumas coisas que mudam, como a parte dos radares, que eu tinha que prestar bastante atenção. Tanto que eu perdi algumas provas por passar em zona de radar um pouco mais rápido do que deveria. Mas, no geral, não tive tanta dificuldade não, é só mais uma questão de adaptação e experiência na navegação.



E como foi competir no Sertões, uma das provas mais desafiadoras do cenário nacional?

O Sertões é uma prova que acho que todo piloto, independente da modalidade, pensa em correr se tiver a oportunidade. É a maior corrida off-road do Brasil. A prova é muito boa, eu já tinha acompanhado por fora, com o programa Red Rider da Honda, de Africa Twin. A gente andou por muitas estradas de terra, por muitos lugares passando perto do roteiro da prova. 


Em 2024, fiz a prova de apoio com o Dário. Ajudei no apoio dos pilotos e estava vivendo mesmo o Sertões, entendendo a prova. Estive com os pilotos no abastecimento, vendo como é que realmente funcionava. E em 2025 foi a estreia. Gostei bastante. Apesar da minha queda, curti muito a prova. Não consegui completar dois dias: em um eu caí e no outro fiquei fora por orientações médicas. Mas eu gostei muito do Sertões e agora tenho mais vontade ainda de voltar para terminar, e terminar bem. Vi que tinha condições de brigar pela vitória. Então, que o Sertões 2026 venha logo.


Ainda no Sertões, a equipe Honda contou com o espanhol Tosha Schareina, um piloto de destaque mundial que acabou vencendo a prova em seu ano de estreia na competição. Como foi a experiência de ter um companheiro de equipe do nível do Tosha?

O Tosha Schareina já era amigo meu de longa data, corri com ele no Mundial de Enduro em 2016, e a gente já trocava mensagens. Foi muito válido ter o Tosha como companheiro de time, estamos falando do cara que foi vice-campeão do Dakar no início do ano, de um atleta que tem ganhado etapas do Mundial de Rally. Ele tem um nível muito forte. Foi incrível a gente ter contato com a estrutura que a Honda trouxe para ele e os nossos mecânicos poderem conhecer a moto oficial da equipe Monster Energy Honda HRC. Realmente, numa moto oficial muda bastante coisa, é um nível muito alto do esporte que eles têm. Foi muito válido ter um cara experiente assim, puxa a gente para cima. E não apenas nós da equipe Honda Racing, mas como todo o rali nacional. Foi muito legal a participação do Tosha, foi bom ter revê-lo. 


A última etapa do Brasileiro de Enduro foi válida para o Latino-Americano, no qual você conquistou uma vitória. Como foi essa prova?

A última etapa do Brasileiro desse ano, em Patrocínio (MG), foi válida pela final do Latino-Americano. Foi uma prova bem dura, bem exigente, e não lembro de ter feito alguma prova com esse nível de exigência física aqui no Brasil. Foi realmente dura para todos. Cheguei perto do meu limite no final do dia, mas faz parte, o enduro é assim. Fiquei muito feliz por ter vencido o Latino-Americano na categoria E2 – eu já havia vencido o campeonato na categoria E1 em 2023 e, então, fui bicampeão latino-americano. É bem importante para a gente para mostrar que o Brasil é forte em praticamente todas as modalidades do motociclismo. E no enduro não é diferente.


Depois de uma temporada competindo no enduro e rali, tem alguma preferência? Qual é a modalidade mais difícil?Depois de ter feito as duas modalidades no mesmo ano, posso dizer que a parte mais difícil foi ter que me manter em alto rendimento a temporada inteira nas duas modalidades. Muitas vezes eu não tinha tempo de fazer treinos específicos para cada modalidade e acabava emendando uma prova de rali em uma de enduro, ou vice-versa. Isso dificultou um pouco. Apesar das motos terem a mesma cilindrada, mudam bastante de um esporte para o outro, e exigem estilos de pilotagem totalmente diferentes. Tive muitos compromissos de corridas e fico bastante tempo fora por conta disso. 


Não é como no motocross, onde os pilotos correm no fim de semana e já vão embora. Quando saio de casa, normalmente fico uma semana fora, e quando a prova de rally é longa, fico fora ainda mais tempo. Essa rotina de viagens tirou muito tempo de treino e de descanso, e acabei ficando um pouco fadigado. Ainda não tenho preferência por uma das duas modalidades, mas quero focar bastante no rali, por ser uma modalidade nova, na qual tenho que aprender muita coisa. É isso, é difícil pilotar em alto rendimento em duas modalidades e em nível nacional. É possível, mas é muito difícil.


E como avalia os dois campeonatos? Gostou dos formatos ou algo precisa mudar?

Os dois campeonatos são muito bem feitos, cada organizador de prova cuidou da sua etapa. No enduro, neste ano não teve um promotor do campeonato, mas a CBM (Confederação Brasileira de Motociclismo) esteve bem presente. Fica difícil eu falar o que pode mudar no Brasileiro de Rally, por ser meu primeiro ano, mas gostei do campeonato, que é bem organizado, e o pessoal escuta os pilotos. Todas as provas, realizadas nas datas planejadas, foram bem explicadas. Curti bastante a temporada do rali. Já o enduro, apesar do ano atípico pela falta de um promotor, teve um campeonato que funcionou bem, só teve uma mudança de data. De qualquer forma, a prova substitutiva foi realizada 100%, foi muito boa, lá em Canelinha (SC). O enduro foi onde eu nasci, digamos assim, e o campeonato foi bom e disputado. Espero que continue assim.



Por fim, quais são os planos para 2026? Vai competir novamente no Enduro e Rally ou podemos esperar alguma mudança?

Estamos acabando de acertar os planos para 2026, ainda não tem nada totalmente definido, mas a gente já tem um caminho que quer seguir. Vamos decidir o que vai ser melhor pra mim, e eu quero pensar para a frente, onde quero chegar, para poder focar. Estou em conversas com a Honda e com os meus patrocinadores. A gente vai, com certeza, tomar as melhores decisões para garantir um futuro bem legal.


Fotos Rapha Rodrigues, Doni Castilho e Alberto Pereira/Mundopress



 
 
 

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