Entrevista - Antonio Jorge Balbi Jr.
- DirtAction
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Ele foi um dos maiores pilotos da história brasileira e construiu uma carreira brilhante no Brasil e no exterior, marcando seu nome internacionalmente. Mas um acidente grave mudou o rumo da sua carreira e, depois de se recuperar, passou a gerir equipes. Após anos à frente da equipe KTM, nesta temporada, de última hora, assumiu a chefia da equipe Kawasaki Racing.
Mesmo com pouco tempo para montar a equipe e se preparar para a abertura do Campeonato Brasileiro de Motocross, contratou dois grandes nomes do esporte, Lucas Dunka e Guilherme Bresolin, sendo que Dunka já venceu neste ano. Como foi o período em que esteve afastado das competições? Como surgiu a oportunidade de chefiar outra equipe? Essas entre outras perguntas são respondidas pela lenda do esporte nacional.
DA – O que estava fazendo antes de assumir a chefia da equipe Kawasaki?
BALBI – Na verdade, desde o final de 2018 para 2019, eu, a Mariana (irmã) e um sócio inauguramos uma empresa distribuidora de motopeças, a BW3. Graças a Deus, o negócio cresceu e abrimos outra loja em 2020. Eu foquei nas distribuidoras e acabamos inaugurando mais uma, próxima da cidade onde moro. Foi um ano que foquei muito na empresa, pude dar uma atenção maior para os negócios.
Também virei pai de piloto nos fins de semana. Em 2022, o meu filho Antônio começou a correr, e participamos em algumas etapas do Campeonato Brasileiro no ano passado. Era basicamente isso o que eu vinha fazendo.
Você retornou às competições nesta temporada como chefe da equipe Kawasaki. Como surgiu a oportunidade?
Foi bem inesperado, na verdade. Existiu uma conversa logo que a gente terminou o contrato com a KTM, e mudou toda a administração da marca no Brasil. Cheguei a conversar com a Kawasaki no final de 2024, mas acabou não indo pra frente. Confesso que eu estava bem desinteressado, porque eu gosto muito de gerir uma equipe, mas não é atraente financeiramente. Nos dois últimos anos eu tive prejuízo como dono de equipe. Tinha esperança que a KTM fosse investir mais no Brasil, mas isso acabou não se materializando.
Cheguei a pensar que talvez não voltasse mais, mas Deus sabe de todas as coisas e, desde que me converti, cada vez mais eu tenho aprendido a não tomar decisões que sejam diferentes da vontade do Pai. Por incrível que pareça, em janeiro parecia impossível o meu retorno, mas o Fábio Wolf, que chegou a representar a KTM no Brasil, começou a me ligar falando que tinha um projeto muito bacana com a Kawasaki e queria que eu fosse o chefe da equipe. Mas eu não levei muito a sério. Ele insistiu.
Em janeiro, eu estava nos Estados Unidos de férias com a família, até que realmente o contrato foi assinado e tudo se materializou. Assim, eu tive pouco menos de um mês para montar a equipe, eu e o Fábio, para fazer com que tudo acontecesse. Aproveito a oportunidade para agradecer ao Fábio. E não só ele, mas à toda equipe da Kawasaki, ao presidente, à Sônia e ao Afonso, que confiaram no meu trabalho.
Realmente, a peça fundamental desse novo projeto foi o Fábio, que insistiu no meu retorno. Temos uma amizade muito bacana, e ele confiou e apostou em mim. Sou muito grato ao Fábio, por tudo que a gente já conquistou junto e por tudo que a gente vem construindo.
Você comentou sobre o pouco tempo para montar a equipe. Então como foi a preparação, para tudo estar pronto para o início das competições nacionais?
Na verdade, quando é vontade de Deus, as coisas acontecem. Foi um período que fiquei bastante ansioso, parecia que não daria tempo. Mas tenho que admitir que foi a nossa maior vitória chegar em Canelinha, para a abertura do campeonato, com tudo pronto. Eu não conseguia acreditar que a gente tinha conseguido contratar os pilotos, adesivar a carreta, fazer todo o material da equipe, conseguir os equipamentos e fechar os patrocínios. Todo mundo que eu ligava em fevereiro falava que o “budget” tinha acabado, que não tinham mais o que fazer.
Mas algumas pessoas chave decidiram nos apoiar, e tenho de agradecer a eles por apoiarem a equipe, como o Pérsio (Mattos), da SportsCo, que entrou na última hora. Toda a equipe dos energéticos Vibe também entrou assim, com um grande apoio pra gente. Gostaria de agradecer a todos os nossos apoiadores que tornaram isso possível, e em tempo recorde. Foi algo que realmente era plano de Deus, pra voltar e voltar com essa equipe. Confesso que tem sido muito mais leve e divertido do que vinha sendo até 2024.
Quem são os pilotos da equipe?
São seis pilotos ao todo. Na categoria MX1 contamos com o Guilherme Bresolin. Sendo sincero, não acreditei que conseguimos assinar um contrato com ele, que fez uma grande temporada em 2025. Quando vimos essa oportunidade, não pensamos duas vezes.
Já o Lucas Dunka tem um grande talento, acreditamos muito no seu potencial. Tive a oportunidade de trabalhar com o Dunka várias vezes, e a gente também não pensou duas vezes. Na verdade, ele foi o primeiro piloto que a gente trouxe pra equipe, para a categoria MX2, um cara que a gente sabe que é prazeroso trabalhar. Ele é um menino de coração bom e um campeão de verdade, dentro e fora das pistas.
Também queríamos muito ter uma menina na equipe e decidimos fechar com a Alícia Sagae, com quem já trabalhado na KTM e em outras ocasiões. Ela tem sido uma grande surpresa. Ninguém esperava que ela conseguisse vencer uma prova já nesse primeiro ano da equipe. Este é o seu segundo ano na categoria MXF, e ela só tem 14 para 15 anos. É muito bom contar com o seu talento.
Temos o Pedro Godoy, que anda muito bem, já venceu e conquistou pódio. Infelizmente, ele acabou se machucando no início da temporada. Na primeira semana em contato com a moto, que já era a semana de Canelinha. Mas já subiu no pódio algumas vezes durante a temporada e tenho certeza que o Pedro vai surpreender muita gente nessa reta final. Isso sem falar da sua família, pois costumo dizer que eu ganhei uma segunda família, a família Godoy.
E a gente tem o piloto mais novo da história a competir na categoria Júnior, que é o meu filho Antônio. Ele está pilotando a KX112, e é realmente um projeto para longo, longo prazo. Tivemos que solicitar à Confederação (Brasileira de Motociclismo) uma liberação especial para ele participar na categoria, pois ele tem 9 anos, idade para competir na 50cc. Fizemos uma moto com roda pequena para ele, para ter condições de treinar e competir, mas sem buscar resultados, e sim para se preparar para o futuro.
A equipe conta com dois campeões brasileiros, Lucas Dunka e Guilherme Bresolin. Como tem sido trabalhar com eles?
É muito bom trabalhar com o Dunka, ele traz muita experiência, é um cara que é muito bom para desenvolver a moto. Como ficou dois anos afastado do Campeonato Brasileiro, foi necessário trabalhar muito nesse início de ano. Estamos desenvolvendo uma 250 para ele, para estar 100% competitiva em 2027. Mesmo assim, ele venceu uma corrida, e foi fenomenal. Essa primeira vitória da equipe foi muito importante.
Quanto ao Bresolin, estou tentando fazer ele treinar menos, já que ele mói a moto de tanto treinar. Ele é muito profissional e dedicado. Na moto dele é preciso trocar peças que eu nunca imaginei que se desgastariam (risos). Me lembra alguém que usava o número 3 e destruía as motos de tanto treinar, um tal de Balbi (risos). Realmente, o Bresolin é um supertrabalhador, então tem sido bacana. A gente realmente tem uma equipe que Deus escolheu a dedo. Deus colocou essas pessoas na minha vida.
Quais são os patrocinadores da equipe?
Contamos com o apoio da Kawasaki Brasil, Vibe Energy, Loja Sacramento, Motul, Borilli Pneus, Arai, 100%, Shot Race Gear, Drop Mud, Bud Racing, Zombie Industries, Tebaldi Gráficos, AMX Acessórios, Rock Solid, Olha Aguai e Vitiss Cosméticos.
Com o seu filho competindo nos campeonatos nacionais, como está sendo conciliar a função de chefe de equipe e pai de piloto?
No passado, fizemos algumas etapas do Brasileiro na 50cc. Ele fez pódio em várias ocasiões. Realmente, a tensão ficou dividida. E neste caso eu tenho que agradecer à minha esposa, a Fernanda, não só na atenção e no trabalho junto com o Antônio, mas também na montagem da equipe, pois ela participou em todos os detalhes. Ela é o meu porto seguro.
Fundamental na equipe e com o Antônio, ela tem múltiplas funções: cozinha, é mãe de piloto e me ajuda a conversar com os pilotos. Fazemos tudo juntos. Aproveito para agradecer à Fernanda, que me ajuda muito a cuidar do Antônio nos dias de competição – às vezes estou focado nos outros pilotos da equipe. Não iríamos fazer o campeonato inteiro, mas como terei que estar nas etapas do Brasileiro, assim como a Fernanda, decidimos leva-lo para todas as etapas. Então, se ele tem a atenção dividida, ganhou o bônus de estar fazendo um campeonato completo.
Como avalia o Campeonato Brasileiro nos últimos anos?
Como disse, fiz algumas etapas do campeonato na 50cc, e penso que é muito puxado para as categorias 50cc e 60cc. Não só o custo alto, mas também é impossível conseguir manter a frequência escolar. Seria interessante separar o campeonato em regiões, talvez como Norte e nordeste, Sul e Sudeste e depois fazer uma grande final. Acredito que isso atrairia mais pilotos para o esporte. Dessa forma, o custo seria mais barato. Fica aqui a sugestão.
Quanto ao Campeonato Brasileiro, sempre podemos melhorar. Mas é absurdo o crescimento do Campeonato Brasileiro, coincidentemente ou não, nos últimos três anos, desde que o Firmo (Henrique Alves) deixou a CBM e assumiu o Campeonato Brasileiro de Motocross como promotor. Houve uma evolução gigante do campeonato em todos os aspetos. Até então, sentia que a gente tinha um campeonato muito forte dentro da pista, com as equipes extremamente profissionais, mas com uma promoção talvez não sendo o ideal. O promotor do Brasileiro está de parabéns, e também toda a equipe da Confederação que trabalha junto com a equipe da promotora do Firmo, extremamente comprometida. A gente tem visto isso em número de público, de pilotos é até número de etapas, que cresceram.
Hoje o Campeonato Brasileiro está entre os maiores campeonatos nacionais do mundo. Não tenho a menor dúvida disso. Hoje o Campeonato Brasileiro, na minha opinião, é muito mais forte que o campeonato inglês, por exemplo, que é um campeonato extremamente forte e tradicional. Podemos dizer que o Campeonato Brasileiro talvez seja mais forte que o Italiano também. Como campeonato nacional, acredito que o Brasileiro está entre os top 3 ou 4 do mundo.
Quero aproveitar a oportunidade para agradecer, em primeiro lugar, a Deus, que me deu a oportunidade de voltar ao esporte. E aos patrocinadores que que nos têm apoiado, sem eu precisar de qualquer esforço para que pudéssemos oferecer os melhores produtos para os nossos pilotos.
Foto Fábio (a esq.), Dunka, Sagae, Sônia, Balbi e Bresolin




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