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Mercado - Beta Motor




Marca vitoriosa nos campeonatos internacionais e que já uma década tem sido representada no Brasil, a Beta Motor tem disponibilizado seus modelos de ponta e para esta temporada conta com nomes de destaque no Brasileiro de Enduro, que inclusive conquistaram vitórias nas primeiras etapas e na liderança da categoria principal, com o piloto Renato Paz.


Conversamos com o diretor da Beta Brasil, Márcio Francio, para conhecermos mais sobre a marca, os trabalhos que vem realizando no mercado nacional, competições e outros assuntos.


DA – Como surgiu a oportunidade de representar a marca Beta no Brasil?

MÁRCIO – Sempre fui praticante e apaixonado pelo motociclismo off-road, o que naturalmente me levou a conhecer diversas marcas do segmento. A Beta Motor sempre me chamou atenção pela qualidade dos seus produtos e pela proposta diferenciada no mercado.


Em um determinado momento, percebi que a marca havia ensaiado uma entrada no mercado brasileiro, mas acabou interrompendo esse processo. Foi então que tomei a iniciativa de entrar em contato com a fábrica, apresentando o potencial do Brasil e meu interesse em dar continuidade a esse projeto. A partir daí, iniciamos juntos essa trajetória de consolidação da marca no país.


Há mais de dez anos representando a Beta, como avalia a evolução da marca no Brasil? Como tem sido trabalhar com uma marca internacional em um mercado tão volátil como o brasileiro?

Quando iniciei com a marca, algo que me chamou muito a atenção foi o respeito e a seriedade dos responsáveis pela Beta na Itália. Desde o começo, fomos acolhidos como parte de uma família, onde a principal preocupação sempre foi com o cliente final e com a qualidade do trabalho desenvolvido.


Mesmo diante dos desafios de atuar em um mercado complexo e volátil como o brasileiro, esse compromisso com a marca e com a rede de revendedores nos dá ainda mais motivação para seguir em frente com consistência.


Ao longo dos anos, a Beta vem crescendo de forma sólida e gradual no Brasil, e temos total convicção de que o país ainda possui um enorme potencial de expansão para a marca.


O mercado brasileiro é forte, com empreendedores muito resilientes. Acreditamos que, com um ambiente econômico mais favorável, esse crescimento pode ser ainda mais acelerado.


Quais são os modelos comercializados no mercado brasileiro e qual é o mais vendido?

Atualmente trabalhamos com uma gama ampla de motocicletas da Beta Motor no Brasil, contemplando modelos dois tempos (2T) e quatro tempos (4T) voltados ao enduro. Além disso, já temos planejamento para iniciar, a partir de 2027, a introdução da linha de motocross, também nas versões 2T e 4T.


Hoje, dentro do segmento de enduro, atuamos com modelos que vão de 200cc até 430cc, atendendo diferentes perfis de pilotos, desde iniciantes até os mais experientes.


Entre esses modelos, os mais procurados são os de 300cc 2T, que oferecem um excelente equilíbrio entre potência, torque e versatilidade. Inclusive, essa é uma tendência que observamos não só na Beta, mas no mercado como um todo.


Por outro lado, é importante destacar que o mercado brasileiro ainda enfrenta desafios relevantes. A alta carga tributária, os custos de importação, a variação cambial e a complexidade do sistema fiscal acabam elevando significativamente o preço final das motocicletas.


Com isso, o consumidor muitas vezes acaba optando por modelos mais “comerciais”, que entregam um bom custo-benefício, mesmo que não sejam necessariamente os mais adequados para o seu estilo de pilotagem.


Isso acaba limitando a diversidade do mercado, o que é uma pena, pois existem muitos modelos extremamente prazerosos e técnicos que poderiam ter maior espaço no Brasil em um cenário econômico mais favorável.


Quantas lojas da marca existem no mercado brasileiro?

Atualmente estamos em fase de expansão no Brasil, porém de forma bastante criteriosa. O mercado de off-road é um nicho mais técnico e exigente, com um público bastante seletivo, o que torna essencial ter parceiros que realmente entreguem qualidade em todos os aspectos.


Não é simples reunir, ao mesmo tempo, excelência técnica, um bom pós-venda e uma atuação comercial eficiente. Por isso, nosso crescimento é estruturado com muita cautela.


Hoje contamos com aproximadamente dez revendedores ativos no país. Nosso modelo é iniciar essas parcerias de forma experimental e, à medida que identificamos comprometimento e alinhamento com a marca, oficializamos a operação.


Acreditamos que o mercado off-road premium não exige uma grande quantidade de pontos de venda, mas sim revendas de alto nível. Por isso, nossa meta é trabalhar com uma rede enxuta, de no máximo 20 revendedores no Brasil, todos altamente qualificados e comprometidos com a experiência do cliente.


Como se encontra a Beta no mercado global?

A Beta Motor é uma marca extremamente respeitada na Europa, especialmente nos segmentos de enduro e trial, acumulando diversos títulos mundiais ao longo dos anos. Isso se torna ainda mais relevante quando consideramos que é uma empresa independente, de capital fechado, com foco praticamente exclusivo no off-road. Mesmo assim, compete de igual para igual com grandes fabricantes globais, inclusive com volumes muito expressivos nos modelos 2 tempos, que hoje já se aproximam das principais marcas do mercado.


Nos Estados Unidos, a marca também vem crescendo de forma consistente e já conquistou grande reconhecimento, inclusive com forte presença e favoritismo em competições importantes como o GNCC.


É difícil cravar números globais exatos, já que esse é um mercado com pouca padronização de dados – em muitos países, como o próprio Brasil, não há registros específicos de emplacamento para esse segmento. Ainda assim, com base no que acompanhamos do mercado e da própria evolução da marca, é seguro dizer que a Beta está entre as que mais crescem no off-road mundial.


Eu acompanho isso de perto há mais de dez anos, e a evolução é impressionante. Desde a primeira vez que visitei a fábrica até hoje, houve um salto enorme em tecnologia, maquinário, ferramental e automação. Além disso, a estrutura industrial praticamente triplicou de tamanho, o que mostra claramente o nível de investimento e o planejamento de longo prazo da marca.


Como surgiu a parceria com os pilotos Renato Paz e Camilo Herrera?

Essa parceria aconteceu de forma muito natural e estratégica ao mesmo tempo. No ano passado, já contávamos com uma equipe satélite muito bem representada, mas entendíamos que, para 2026, seria o momento de dar um passo além e montar uma equipe com real potencial de disputar o título, inclusive frente a grandes estruturas como a Honda.


Dentro desse planejamento, passamos a acompanhar mais de perto alguns pilotos, e o Renato Paz nos chamou muita atenção. Além do talento, vimos nele características que valorizamos muito: dedicação e perfil humano. Para nós, é fundamental ter pessoas boas ao nosso lado.


Mesmo enfrentando dificuldades – como treinar com moto emprestada –, ele já vinha tendo ótimos resultados, o que demonstrava ainda mais o seu potencial. Sabíamos, inclusive, que ele poderia ser contratado por uma equipe maior.


Paralelamente, fomos em busca de um nome internacional e chegamos ao Camilo Herrera, que já tinha histórico com a Beta no Chile, experiência na Europa e uma participação muito expressiva no Six Days. Fizemos contato e avançamos rapidamente.


Outro ponto fundamental que nos deu segurança nesse projeto foi a estrutura técnica. Contar com profissionais como Oriel Casagrande, hoje um dos principais preparadores de enduro do Brasil, e Aloísio Sfalsin, com grande experiência em equipes, foi decisivo para consolidar essa base competitiva.


Nesse meio tempo, tivemos a notícia de que a Honda não participaria da temporada, o que abriu uma lacuna importante no campeonato. Com isso, fomos atrás do Renato e conseguimos concretizar a parceria. O resultado foi imediato: ele teve uma performance dominante logo na primeira etapa e manteve um nível altíssimo na sequência.



Hoje, estamos muito satisfeitos com o time formado – Camilo, Renato, Danilo e Ednaldo – não só pelo desempenho nas pistas, mas principalmente pela qualidade humana de cada um. Isso, para nós, faz toda a diferença na construção do projeto.


Como essas parcerias contribuem para a evolução da marca no mercado nacional?

Essas parcerias têm um papel fundamental na evolução da marca no Brasil. No segmento off-road, principalmente no enduro, a credibilidade está diretamente ligada à performance em competição. Quando você tem pilotos competitivos, bem estruturados e com resultados consistentes, isso gera confiança no produto e fortalece a percepção da marca junto ao público.


No nosso caso, além dos resultados esportivos, conseguimos mostrar na prática a qualidade, a durabilidade e a performance das motocicletas da Beta Motor em condições reais de uso, que é exatamente o que o consumidor valoriza.


Outro ponto importante é que trabalhamos com pilotos que também têm uma excelente postura fora das pistas, o que ajuda a aproximar a marca do público e criar uma conexão mais verdadeira com os clientes.


Além disso, essa estrutura mais profissional de equipe eleva o nível da marca no país, tanto em termos de imagem quanto de confiança da rede de revendedores.


No final, é um ciclo positivo: a performance gera visibilidade, a visibilidade gera credibilidade e isso se reflete diretamente no crescimento da marca no mercado nacional.


Falando sobre o Brasileiro de Enduro, como avalia o campeonato? Algo precisa mudar?

O Campeonato Brasileiro de Enduro tem evoluído de forma consistente nos últimos anos, tanto em nível técnico quanto em organização. Hoje já vemos provas bem estruturadas, pilotos cada vez mais preparados e um nível competitivo bastante elevado. Isso mostra que o esporte vem se consolidando no Brasil, o que é muito positivo para todos os envolvidos – marcas, equipes, pilotos e o próprio público.


Por outro lado, como qualquer campeonato em crescimento, ainda existem pontos que podem evoluir. Acredito que maior visibilidade do esporte, mais investimento em mídia e fortalecimento da base de praticantes seriam passos importantes para ampliar ainda mais o alcance do enduro no país.


Além disso, quanto mais profissionalização em todos os níveis – organização, equipes e comunicação –, maior será o potencial de crescimento do campeonato.


No geral, vejo de forma muito positiva e acredito que estamos no caminho certo para um desenvolvimento ainda mais sólido nos próximos anos.


Como avalia o mercado nacional com o aumento dos preços das motocicletas?

O aumento dos preços das motocicletas é, sem dúvida, um obstáculo relevante para o crescimento do segmento, principalmente quando falamos de produtos premium. Esse cenário acaba afastando muitos consumidores que têm interesse e potencial para entrar no esporte, mas que encontram uma barreira financeira significativa.


Grande parte disso está ligada à alta carga tributária, custos de importação, variação cambial e à própria complexidade do ambiente econômico brasileiro, que impacta diretamente o preço final ao consumidor.


Mesmo assim, o mercado continua existindo e se movimentando, muito sustentado pela paixão do público pelo off-road. O que vemos, na prática, é um consumidor cada vez mais criterioso, que analisa muito bem o investimento antes de tomar a decisão de compra.


Acreditamos que, com um ambiente econômico mais equilibrado, o mercado teria capacidade de crescer de forma muito mais acelerada, ampliando o acesso e fortalecendo ainda mais o segmento no Brasil.





 
 
 

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