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Entrevista - Renato Paz - Líder do Brasileiro de Enduro



O jovem piloto começou sua carreira no motocross, chegou a se transferir para os Estados Unidos buscando uma carreira internacional e, depois de quatro anos, retornou ao Brasil e mudou de modalidade, enfrentando os desafios do enduro.


Na temporada passada, ele foi convidado para representar o Brasil no maior evento de enduro do planeta, o Six Days, e nesta temporada, com novos patrocinadores, começou o Brasileiro vencendo!


Acompanhe a seguir nossa conversa com o piloto que pode conquistar o título nacional e, quem sabe, novamente representar o País no Six Days. Com vocês, Renato Paz, mais conhecido como “Muguinho”!


DA – Você competiu durante anos no motocross, mas decidiu se transferir para o enduro. O que lhe levou a seguir esse novo caminho?

PAZ – Sim, foram muitos anos dedicados ao motocross. Tive grandes momentos e muitos sonhos realizados. Sou muito grato por tudo que vivi e a todos que estiveram comigo no meu caminho e, de alguma maneira, me ajudaram a conquistar títulos nacionais e até disputar provas internacionais.


Essa transição para o enduro aconteceu por conta de oportunidades. Depois que voltei dos Estados Unidos, onde morei por quatro anos, as coisas mudaram bastante aqui no Brasil. Com isso, migrei para o enduro.


E, desde que entrei, me entreguei de alma e coração, porque, se não desse certo, eu iria procurar um trabalho “normal”. Era a minha última chance.


Quais foram suas maiores dificuldades quando começou a competir no enduro?

Foram muitas (risos). Eu tinha bastante dificuldade em conseguir aplicar a minha velocidade nas especiais de Enduro Test. Lembro de, várias vezes, nos treinos, sair com as pernas tremendo (risos) por conta da alta velocidade em single track – isso era tudo novidade no começo.


Em relação à adaptação em pedras, raízes, troncos e outros obstáculos, foi relativamente rápida. Mas outra dificuldade que eu tinha era decorar as três especiais e ter tudo na mente, e isso é essencial para ser rápido.


Com a nova modalidade, mudou algo na sua preparação para as corridas, se comparada com o motocross?

Sim, mudou muita coisa. Desde a preparação da moto até meus treinamentos em cima e fora dela. No enduro, você acaba tendo que ser mais “bruto”, ou seja, mais forte fisicamente. Então eu precisei ganhar mais massa muscular e entender melhor como a modalidade funciona. Por exemplo, antes eu fazia baterias longas, e hoje faço mais treinos de sprint.



Você representou o Brasil no Six Days no ano passado. Como foi essa experiência?

Foi incrível! O Six Days é uma corrida emblemática, e fiquei muito feliz em ser selecionado para representar o nosso país. Sem dúvida, isso mudou minha cabeça. A experiência é surreal. Poder ver onde eu estava em comparação aos melhores pilotos do mundo é algo muito importante para a minha evolução pessoal.


E o que achou do Six Days? Quais foram as maiores dificuldades na prova?

Achei surreal! A competição, a energia, a quantidade de pilotos… no geral, é fora de série. Na minha visão, não tive muitas dificuldades. Apesar de ter sido minha primeira vez, consegui me adaptar muito bem ao estilo da prova e também à moto. Acredito que a maior dificuldade é o estado em que as especiais ficam. Como passam muitos pilotos, elas se destroem completamente e começam a surgir coisas que não estavam na volta anterior.


Nesta temporada você está competindo com a Beta. Como foi a adaptação à motocicleta na pré-temporada?

Isso, este ano estou na Beta Racing Factory Team. A adaptação foi muito rápida, a moto é realmente muito fácil de andar. Tive minha primeira experiência com a Beta no Six Days, uma moto que nunca tinha andado antes, e competi com ela 100% original. Agora, com a moto do meu jeito, com meu setup de suspensão, a adaptação ficou ainda mais tranquila. Estou realmente muito feliz em estar competindo com a Beta.


Na abertura do Campeonato Brasileiro de Enduro, você venceu a Elite e a E2. Como foi a primeira prova da temporada?

Foi um começo de temporada dos sonhos. Vencer os dois dias na categoria E2 e também na geral Elite foi algo que eu almejava há bastante tempo. Tive dois dias de provas muito sólidos, estava me sentindo bem em cima da moto e nas especiais. Mas, sem dúvida, esse resultado não é só fruto do meu esforço diário, e sim do trabalho de todo o time. Foi minha primeira prova com a equipe, e vencer tornou tudo ainda mais especial.


Estamos no início da temporada do Brasileiro de Enduro. Qual é a sua expectativa para este ano?

Esta é a minha quarta temporada no enduro. A cada ano que passa, estou me sentindo melhor dentro da modalidade e, com certeza, a minha expectativa é vencer. Quero estar em todas as etapas brigando por vitórias e, quem sabe, conquistar meu primeiro título brasileiro de enduro. Trabalho todos os dias para isso, e, se realmente acontecer, vai ser um momento muito especial para mim.


O Six Days vai comemorar cem anos com prova sendo realizada em Portugal. Ainda é cedo para falar sobre a prova, mas gostaria de representar novamente o Brasil? O que mudaria nos treinos para a prova, depois da sua experiência no ano passado?

Sem dúvida, tenho muita vontade de representar o nosso país novamente nessa prova que conquistou meu coração, ainda mais nesta edição histórica de cem anos.


Os treinos já mudaram bastante desde a minha participação no ano passado. Evoluí na parte física, mental, nos treinos com a moto e também na mecânica, que é fundamental.


Nas provas do Brasileiro, procuro aplicar ao máximo tudo o que aprendi lá. Por exemplo, no fim do dia aqui no Brasil, o mecânico pode ajudar na manutenção e na troca de pneus, mas eu mesmo gosto de fazer, justamente para usar isso como parte do meu treinamento para quando estiver lá fora. E nada melhor do que fazer isso em uma competição onde há muitas coisas em jogo.


Fotos Ney Evangelista


 
 
 

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