Entrevista - Raissa Bazzani Felippe - Diretora Vedamotors e Sportech Brasil

Uma das maiores empresas do setor, a Vedamotors evoluiu, se transformou e ampliou. E neste ano ela comemora 35 anos atuando no mercado nacional. Juntamente com a Sportech Brazil, o grupo tem oferecido os produtos de marcas renomadas e tem feito grande investimento nas competições, apoiando equipes e pilotos, como a campeão brasileira Luanna Neves, que neste ano participou em provas do Mundial Feminino de Motocross.
Conversamos com a diretora da empresa, Raissa Bazzani Felippe, para sabermos mais sobre esses 35 anos da Vedamotors e das outras marcas que a empresa gerencia, bem como a presença delas nas competições.
DA – Vocês estão comemorando 35 anos da Vedamotors. Como avalia a evolução da empresa nessas mais de três décadas atuando no mercado nacional?
RAISSA – É uma história que diz muito sobre capacidade de adaptação. Em 35 anos, o mercado mudou completamente, o consumidor mudou, a tecnologia evoluiu e a própria dinâmica do setor ficou muito mais rápida. A VEDA conseguiu acompanhar essas transformações sem perder a visão de longo prazo e, principalmente, sem deixar de investir.
Hoje, quando olhamos para o Grupo VEDA, vemos uma estrutura muito mais ampla, com indústria, engenharia, distribuição e novos negócios. A própria Sportech nasce como parte dessa evolução. Ela carrega toda essa experiência e solidez do grupo, mas foi criada com uma operação e uma proposta próprias, voltadas a mercados muito específicos, como Off-Road, Adventure e Bike. Então, para nós, celebrar os 35 anos também é reconhecer a base que tornou possível chegar até aqui e continuar abrindo novas frentes.
Quais são as maiores dificuldades em trabalhar num mercado tão volátil como o brasileiro, e num setor tão específico?
O Brasil exige muita capacidade de leitura e reação. Temos variação cambial, impostos, custos logísticos, importação, mudanças de demanda... e tudo isso influencia diretamente uma operação como a nossa.
Ao mesmo tempo, estamos em um mercado muito técnico. Não basta ter o produto disponível. É preciso entender a aplicação, comportamento do consumidor, necessidade do lojista, do piloto, da equipe e até as diferenças entre modalidades.
A grande questão é conseguir ser ágil sem trabalhar no improviso. Você precisa tomar decisões rápidas, mas com informação, planejamento de estoque e proximidade com o mercado. Acho que essa combinação entre velocidade e consistência é um dos maiores desafios, é também uma das coisas que mais aprendemos nesses primeiros anos de Sportech.
Uma das grandes marcas que vocês representam é a Leatt, de equipamentos para o motociclismo. Como tem sido a aceitação dos produtos dessa marca pelos consumidores?
A aceitação tem sido muito positiva. A Leatt já chega com uma reputação internacional muito forte em proteção e desenvolvimento de produto, principalmente dentro do Off-Road. O nosso trabalho no Brasil é aproximar toda essa tecnologia do consumidor e mostrar o que existe por trás de cada equipamento.
E percebemos que, quanto mais o público conhece o produto, melhor é a resposta. Hoje o motociclista ou ciclista pesquisa muito. Ele quer entender o nível de proteção, construção, materiais, ventilação, mobilidade, impermeabilidade... não escolhe mais apenas pela aparência.
Por isso, nosso trabalho com a Leatt não é simplesmente colocar o produto na prateleira. Envolve treinamento, conteúdo técnico, presença em eventos, contato com pilotos e suporte aos nossos parceiros. Essa construção tem sido fundamental para o crescimento da marca no país.
Para nós que nascemos e temos o DNA técnico provindo da Vedamotors, trabalhar uma marca técnica é um desafio, mas ao mesmo tempo é algo gratificante, porque nós sabemos o que precisa ser feito e como fazer, temos que respeitar o timing dos projetos, a resposta às ações que estamos implementando e seguir consistentes e transparentes com a nossa estratégia. Costumo falar para o nosso time que reconstruir uma marca pode ser ainda mais difícil que construir ela do zero, exige cautela, coerência, escuta, relacionamento com os clientes, altos investimentos na marca, e acima de tudo um time que acredita no trabalho que estamos fazendo. Sem isso, nada seria possível.
Em apenas dois anos de distribuição, ver a evolução da marca Leatt no mercado é algo que nos motiva e nos dá maior clareza do que podemos fazer daqui para a frente.
A distribuidora Sportech foi lançada em 2024. Após mais de dois anos atuando no mercado, como avalia o trabalho da empresa?
Foram dois anos muito intensos e de muito aprendizado. Quando a Sportech nasceu, nossa intenção nunca foi simplesmente reunir algumas marcas internacionais e começar a distribuí-las. Queríamos construir uma operação realmente especializada.
Nesse período, fomos entendendo cada vez melhor os canais, fortalecendo relacionamento com lojistas, oficinas, equipes e atletas e, principalmente, organizando um portfólio que fizesse sentido para o mercado brasileiro.
Hoje estamos entrando em uma fase de consolidação. Temos mais clareza sobre onde queremos estar, sobre o papel de cada marca dentro do portfólio e sobre como podemos gerar valor para os nossos parceiros além da venda do produto. Ainda temos muito espaço para crescer, mas sentimos que a Sportech já construiu uma identidade própria no mercado.
Vocês comercializam produtos de grandes empresas, como Leatt, Athena, Vedamotors e GET. Como é gerir marcas de grandes empresas do setor?
É uma responsabilidade grande porque cada marca tem uma história, uma identidade e uma estratégia própria. Não dá para colocar todas dentro da mesma lógica comercial.
Nosso papel é entender profundamente cada uma delas e fazer essa conexão com a realidade brasileira sem descaracterizar aquilo que tornou a marca relevante globalmente. Às vezes isso envolve posicionamento, em outros casos treinamento técnico, construção de distribuição, suporte de pós-venda ou presença maior dentro das competições e eventos.
Também existe uma responsabilidade em duas direções. Precisamos representar bem essas marcas no Brasil, mas também precisamos levar até elas uma leitura muito real do nosso mercado. Essa troca é importante porque o Brasil tem características próprias e um consumidor cada vez mais informado e exigente.
Quando estudamos novas marcas para o mercado brasileiro, nós procuramos entregar à marca um estudo robusto sobre o nicho no qual ela está inserida, para que tenhamos clareza do tamanho do negócio a qual estamos falando e principalmente para trabalharmos com previsibilidade e assertividade.
Nesta temporada, vocês estão apoiando a equipe JP Pro Honda com a Leatt. Como surgiu a oportunidade dessa parceria?
A parceria com a JP Pro Honda surgiu de uma conexão muito natural entre o trabalho da equipe e o posicionamento da Sportech dentro do motociclismo.
Hoje, estamos presentes de forma bastante completa no projeto: a Leatt veste os pilotos da cabeça aos pés, enquanto as motos utilizam produtos de marcas como Vedamotors, Athena, GET, Selle Dalla Valle, Moto-Master e DURAG.
Para nós, isso torna a parceria especialmente interessante, porque conseguimos acompanhar diferentes produtos do nosso portfólio em um ambiente de alta exigência, tanto no equipamento do piloto quanto na preparação da moto.
Além da visibilidade, existe uma troca muito rica com pilotos e mecânicos. Estar perto de uma equipe que compete em alto nível nos ajuda a entender o uso real dos produtos, ouvir quem está na pista e fortalecer ainda mais essa conexão entre marca, equipe e performance.
E é muito bom ver esse trabalho se traduzindo também em resultado. A JP vem fazendo uma temporada muito forte, inclusive no Mundial de Motocross, e acompanhar essa evolução de perto torna a parceria ainda mais especial para nós.
Vocês também apoiaram a participação da Luanna Neves em etapas do Mundial de Motocross Feminino. Como avalia essa parceria e os resultados da campeã brasileira?
Foi uma parceria muito importante para nós porque existe um significado que vai além do resultado de uma prova. Ver uma atleta brasileira competindo no cenário mundial mostra o nível de talento que temos aqui e também o tamanho do caminho que ainda podemos construir para esses pilotos.
A Luanna já chega com a experiência e a responsabilidade de ser campeã brasileira e teve a oportunidade de se medir com algumas das melhores pilotos do mundo. Esse tipo de experiência acelera muito o desenvolvimento de um atleta.
Para a Sportech e para a Leatt, fazer parte desse momento também reforça algo em que acreditamos: precisamos estar próximos de quem está levando o motociclismo brasileiro adiante. Quanto mais pilotos brasileiros tiverem oportunidade de competir em alto nível, mais forte fica todo o nosso esporte.
O Campeonato Brasileiro de Motocross, o MX1 GP Brasil, tem recebido muitos elogios internacionais, principalmente de pilotos estrangeiros que participam do campeonato, sendo a maioria de grande nível internacional. Acredita que o Brasileiro está no caminho certo ou algo precisa mudar?
Acredito que está no caminho certo, e a presença de pilotos estrangeiros competitivos é uma demonstração importante disso. Quando atletas acostumados a correr em outros países vêm ao Brasil e encontram um campeonato organizado, competitivo e com bom nível técnico, isso ajuda a elevar a percepção sobre o nosso motocross.
E existe outro efeito muito positivo: quanto maior o nível do grid, mais os pilotos brasileiros também são exigidos. Isso melhora a competição como um todo.
Mas um campeonato nunca pode achar que chegou ao ponto ideal. Sempre existe espaço para evoluir em estrutura, segurança, calendário, comunicação, experiência do público e profissionalização do paddock. Para equipes, atletas, patrocinadores e marcas, previsibilidade também é muito importante.
O MX1 GP vem mostrando uma evolução muito interessante. O desafio agora é manter essa consistência e continuar elevando o padrão, porque o Brasil tem público, mercado e talentos para ter um campeonato cada vez mais relevante internacionalmente.












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