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Entrevista - Maurício Brandão

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Depois de anos à frente da realização do Campeonato Brasileiro de Enduro, na temporada passada ele assumiu a responsabilidade de realizar a última etapa do Brasileiro de Enduro, em conjunto com a final do Latino-americano, em Patrocínio (MG). E decidiu encarar o grande desafio de realizar em 2027 uma etapa do Mundial de Enduro no Brasil.


Diante de tantas realizações, conversamos com ele sobre esses e outros assuntos do enduro nacional, modalidade que conquistou seu merecido espaço, mas tem um futuro ainda muito mais promissor. Acompanhe essa entrevista especial e fique por dentro da modalidade que mais cresce no cenário nacional.


DA – Você realizou a última etapa do Brasileiro de Enduro no ano passado. Como avalia essa prova?

MAURÍCIO – Foi um grande aprendizado. A prova teve a função de adquirir know-how e motivar o projeto maior, que será realizado em 2027. Ela fez parte de um conjunto de ações, um passo muito importante para continuidade da evolução do enduro no Brasil.


Como todo empreendimento, tem metas e objetivos. Estamos sintonizados no Brasil e no mundo, acompanhando, buscando, criando e desenvolvendo modelos a serem seguidos. Patrocínio se construiu como referência, realizada desde 2004, que tem personalidade e tradição, envolvida por todo um glamour especial. Temos um relevo privilegiado e a possibilidade de realizar uma prova com um nível técnico diferenciado, com uma variedade de terrenos e inúmeras configurações possíveis.


Cento e setenta pilotos, vindos de sete países e oito estados brasileiros, 139 adultos e 31 crianças que são nosso futuro, tiveram a oportunidade de acelerar e se divertirem no cascalho, pedras e areia. Além desses elementos, pilotos e máquinas foram castigados pela poeira e pelo calor intenso típicos da região do cerrado.


Outro fato importante, é a motivação, a vontade de realizar que os membros do Moto Clube do Cerrado têm. Fundado em 2001, além da experiência adquirida durante todos esses anos dedicados ao enduro, o pessoal do Moto Clube do Cerrado tem o ingrediente fundamental para o sucesso: PAIXÃO pelo que faz.


A etapa em Patrocínio também foi válida pela final do Latino-americano de Enduro. Como surgiu a oportunidade de realizar essa prova e como avalia a competição?

Sim, foi um importante passo em busca de nossos objetivos. No final de 2024, após encerrarmos a temporada, surgiu a oportunidade. Após anos de lutas, evoluções e conquistas à frente do Campeonato Nacional, vislumbramos novos horizontes, os eventos internacionais.


Em uma conversa com o Gustavo Jacob, presidente da CBM (Confederação Brasileira de Motociclismo), enxergamos a necessidade de uma maior atenção no intercâmbio e na internacionalização da modalidade enduro. Com o apoio total da CBM, viabilizamos com a FIM Latin América (Federação Internacional de Motociclismo América Latina) a realização dessa prova junto com a final do Brasileiro de Enduro. Assim, pudemos medir o nível da nossa organização, necessidade de evolução e adequação às regras e procedimentos aqui no Brasil. E, claro, com os pilotos brasileiros medindo força com os melhores da América Latina. Deu certo e vamos seguir em frente!


O campeão brasileiro de motocross e do Arena Cross, o mineiro Bernardo Tibúrcio, participou nessa última etapa do Brasileiro e conquistou vitórias. Como surgiu a oportunidade de contar com a presença dele e como avalia a sua participação na prova?

O Bê é um talento e um exemplo de dedicação. Sou fã dele e de toda família Tibúrcio, especialmente da Lu. Com o Brasileiro de Motocross encerrado e a grande experiência no Motocross das Nações, fiz o convite para o Bê participar na prova. E deu certo, ele veio e se divertiu nas trilhas patrocinenses. Ele já foi campeão brasileiro de enduro, em 2023, gosta de fazer trilha e, como já falamos, é talentoso. Para mim, não foi uma surpresa, mas é fato: venceu pilotos especialistas em enduro. Isso é bom, pois o enduro busca o “piloto completo”, que anda bem em qualquer terreno: barro, pó, pedras, canaletas... Além de ter bom preparo físico, saber mecânica e cuidar da sua moto. Tenho certeza que a modalidade agrega muito a parte técnica, física e psicológica de qualquer piloto de outras modalidades. Parabéns, Bê!


Outra novidade da temporada foi a transferência do supercampeão Bruno Crivilin para a motocicleta de 450cc. O que achou dessa decisão e como ela impactou no campeonato?

Pois é, também sou fã do Bruno, outro piloto extremamente dedicado. Vi ele se revelar aqui em Patrocínio, em 2014, na prova do Ibero Americano de Enduro. De lá para cá, só o vi crescer, como piloto, atleta e pessoa. Acredito que ele está em um processo de transição natural da evolução de um piloto de enduro, migrando para outra modalidade. Então, essa opção pela 450 é necessária e natural. Até onde sei, ele vai para o rali.


Depois de anos à frente do Brasileiro de Enduro, como avalia a nova gestão do Brasileiro?

Realmente, foram muitos anos, tudo passou muito rápido. Hoje, olhando para trás, vejo o quanto a modalidade cresceu. Claro que muitas opções e decisões tiveram de ser tomadas buscando o melhor, e tenho certeza que não agradaram todos, ainda mais em tantos anos. Pessoalmente, conquistei boas e sólidas amizades nessa jornada. Eu e o enduro devemos muita gratidão a muita gente, fizemos tudo com muito prazer e responsabilidade. Tenho convicção que deixamos um legado em prol do enduro.


Convivi com quatro gerações de pilotos de enduro no Brasil: a era Bernardo Magalhães e Cassius Nunes; a era Felipe Zanol e Nielsen Bueno; vi o (Rômulo) Bottrel criança e agora piloto aposentado; e o Crivilin nascendo no enduro e agora seguindo em frente, a Bárbara Neves se tornar referência feminina, o Patrik (Capila) se tornando o primeiro campeão mundial no motociclismo brasileiro e vários outros, vários que merecem destaque.


Ver e sentir o brilho dos sonhos nos olhos dessa turma foi e ainda é extremante gratificante. Vamos vivenciar o início de um novo ciclo, uma nova geração se anuncia, bem mais evoluída, tendo como referência os ídolos do passado e do presente, uma base sólida para um futuro, dentro de um mercado mais dinâmico e complexo.


O ano de 2025 foi de transição, que tem de ser feita. Toda mudança tem muitos desafios a serem superados, mas com bons propósitos, boas ideias e boas intenções, tudo vai dar certo.


Na sua opinião, o campeonato está no caminho certo? O que podemos fazer para evoluir ainda mais o esporte?

Após anos de ações empíricas realizadas com muita paixão, notei ter chegado ao meu limite, que precisava de mudar o modelo para evoluir mais. Em 2024, incorporei uma assessoria de gestão especializada. O primeiro passo foi fazer uma grande pesquisa em todas as áreas, e preparamos um plano de ação. Ele está pronto e disponível. Já estamos usando essas informações no planejamento da Copa Cerrado de Enduro e nos projetos em que participo.


Hoje eu tenho novas metas e objetivos, e já dei um passo à frente. Estou disposto a colaborar, compartilhar meu conhecimento, oferecer consultoria, passar tudo que sei, tudo que aprendi e vivenciei nesses anos para fortalecer ainda mais o alicerce, as bases do enduro aqui no Brasil.


Há 30 anos não tínhamos nada, e durante 15 anos eu estive à frente de um grande grupo de apaixonados que, juntos, fizemos tudo isso acontecer no enduro. Atualmente, temos um campeonato estruturado, o melhor das Américas, já com projeção mundial. Isso aconteceu muito rápido, considerando que a modalidade é centenária. Em 2026 será realizada a 100ª edição Six Days!


Então, estamos sim no caminho certo, procurando evoluir cada vez mais, desde a preparação dos pilotos, motos e equipamentos até a organização de campeonatos e provas melhor elaboradas. Não tenho dúvida nenhuma que vamos evoluir cada vez mais e que esse é o caminho.


Foi divulgada recentemente a carta de intenção de realizar uma etapa do Mundial de Enduro no Brasil em 2027. Como surgiu essa ideia e como está esse projeto?

No mundo de hoje não existem segredos (risos)! Já tem um bom tempo que acendemos esta chama. Nos primórdios da implantação do enduro no Brasil, em 1997, foi realizada uma prova do Mundial em Belo Horizonte e, posteriormente, em 2003, os Six Days, em Fortaleza (CE). Em 2015, conseguimos uma data para o Mundial retornar ao Brasil, mas por motivos fora de nosso controle fomos obrigados a abrir mão. Mas não desistimos desse sonho, continuamos trabalhando, aprendendo e usando as relações construídas durante esses anos, mantendo as portas abertas. Então, aí está, mais perto do que nunca.


Já estamos correndo contra o relógio. Durante os Six Days em Bérgamo (Itália), os promotores do Mundial de Enduro, eu e minha esposa Dines, minha maior incentivadora e parceira na vida e nesses projetos, junto com a CBM, nas pessoas do presidente Gustavo Jacob e do diretor de enduro e vice-presidente, o sr. Assis Aquino, assinamos a carta de intenção para a realização já em 2027 da etapa brasileira do Mundial. E a FIM já sinalizou positivamente.


O desafio agora é manter a firmeza no propósito de realizá-la e, mais, incluir a prova no novo ciclo de crescimento do enduro no Brasil. Não se trata de só realizar uma prova do Enduro GP no Brasil, temos de alavancar e fazer a modalidade ter o devido destaque, ter a responsabilidade e o compromisso em ocupar seu espaço em nosso disputado e apaixonante mercado, em colocar o enduro como ferramenta de negócios e assumir a posição de protagonista.


Aqui, nas páginas da revista Dirt Action, registro documentalmente estas intenções e convido todos para fazerem parte desse desafio que vai ficar marcado na história do enduro no Brasil e no mundo off-road.



Ultimamente. tenho usado a saudação “VIVA O ENDURO!”, que tem duplo sentido: “VIVA” de saudar, festejar ou, em um sentido mais amplo, de VIVER que, associado ao primeiro sentido, de viver festejando o que fazemos. Acredito que este é o verdadeiro espírito do enduro em todo o mundo.


Aproveitando o momento, agradeço imensamente o espaço da revista. Trinta anos de história credencia a Dirt Action como meio de divulgação e arquivos de documentação de fatos relacionados ao motociclismo brasileiro. Sou leitor desde sua primeira edição, lá em 1995.


Tenho a mídia impressa mais do que um veículo de comunicação, acredito que as notícias e fatos aqui relatados são “documentos históricos”. A mídia online atual é extremamente ágil e eficiente, todos se sentem presentes nos eventos, mas na mídia impressa guardamos registros e memórias que não se perdem no tempo. É necessário deixar registros concretos como referência para o futuro acontecer.


Foto Maurício na assinatura da Carta de Intenção para realizar uma etapa do Mundial de Enduro em 2027 no Brasil



 
 
 

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