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Entrevista - Joaquim Monteiro - CEO do Sertões


A edição 2022 do Sertões foi especial, comemorando os 30 anos da prova juntamente com o bicentenário da Independência. Os organizadores montaram uma prova diferente, mais longa e com novos trajetos, mas sem perder o DNA de corrida aventureira e ainda promovendo ações sociais. Foi uma edição histórica! Entre os destaques, a vitória nas Motos de Bissinho Zavatti (Honda), sua primeira na competição, assim como o título de Moara Sacilotti (Yamaha), na Over, depois de 20 anos participando na prova, sem esquecer as dificuldades da equipe vencedora das últimas duas edições, a Yamaha.


A apresentação da edição quatro anos atrás sinalizava que ela seria exclusiva, incrível e, como sempre, desafiadora. Por trás desse gigante trabalho e de uma equipe especial está Joaquim Monteiro, praticante e amante do off-road, que há alguns anos decidiu assumir a responsabilidade de realizar o maior rali das Américas – que se tornou o maior do planeta com a edição comemorativa. Com tudo isso, não poderíamos de deixar de bater um papo com ele sobre a prova deste ano. Acompanhe essa conversa descontraída e incentivadora e descubra mais sobre o nosso maior evento off-road.


DA – Depois de muitas expectativas, aconteceu o Sertões 30 anos, o maior rali do planeta. Como avalia a edição comemorativa?

JOAQUIM – Penso que fomos privilegiados com essa nova edição do Sertões, marcada pelos 30 anos da prova e o bicentenário da Independência. Acredito que os astros estavam alinhados, essa prova foi como o Cometa Harley, que só acontece uma vez na vida. Acredito que foi uma prova que o Brasil merece. Cruzamos cinco regiões, com um planejamento de quatro anos, com maior duração e com novidades, que trouxe uma logística enorme – tínhamos de deslocar todo dia 1.500 pessoas, com as vilas Sertões para atender a todos. Ficamos muito satisfeitos e felizes com o resultado, é como o carnaval que acaba e a gente já está pensando no próximo. Lembrando que foi um grande evento realizado depois de uma pandemia que assolou o planeta, mas que permitiu aos participantes atravessarem locais impressionantes, conhecerem um pouco do nosso Brasil, conhecerem o que é nosso; de promover o Brasil, o país como pano de fundo, com cenários incríveis, diferente de uma competição em um autódromo. E tudo isso nos motiva e nos consume. Então, foi muito gratificante realizar essa edição especial do Sertões.


Você comentou que houve um planejamento de quatro anos, tornando a edição longa e com mais intensidade. Ela trouxe grandes dificuldades?

Acredito que todos já estavam preparados para esta edição, lembrando que a grande maioria completou a prova, então, a gente ficou muito grato. Lançamos a prova em 2018 para as pessoas poderem se programar, para as equipes poderem se preparar, um tempo para investimento em logística, operação e infraestrutura. Isso porque demandou mais água, demandou gerador silencioso, demandou mais peças, afinal de contas foi uma prova de 7.200 quilômetros, quando antes tinha 4 mil quilômetros. Geralmente, ela tem sete dias, mas dessa vez a edição teve 14 dias. Imagino que os mecânicos, motoristas, cozinheiros e fisioterapeutas ficaram todos exaustos. Foi uma prova exclusiva para os competidores e para a gente também, porque se chega no décimo dia e tem mais quatro dias ainda. Realmente foi uma prova desafiadora para todos.


Como foi a receptividade das equipes com o último Sertões?

Não foi uma surpresa para os competidores porque a gente estava quatro anos batendo nessa tecla, dizendo que o Sertões seria o maior do mundo. As equipes se preparam melhor, com motor-home e estrutura mais parruda, porque na pandemia não permitimos o uso da infraestrutura das cidades, ficamos em um esquema de bolha, que foi também um ensinamento para 2022, para que as pessoas e as equipes ficassem autossuficientes em termos de água e energia, de gerador. E eles puderam diluir os custos em 2020 e 2021. Então, fazia sentido as equipes se estruturarem.


A categoria Motos teve um novo campeão, Bissinho Zavatti (Honda), sua primeira vitória na principal categoria, e também a vitória de Moara Sacilotti (Yamaha) nas Motos Over. Como esses resultados impactam no evento?

Acho que a grande beleza do esporte é que raríssimo ele não é. Ele não é muito fiel ao favoritismo, daquele cara com a melhor máquina, com o melhor equipamento. É preciso tratar bem a sua máquina, caso contrário ela não vai te levar para os top 3. A Moara é um ícone do Sertões, com participação em 20 edições, ela tirou a carta de moto para se dedicar à prova. Ela começou a correr o Sertões com 18 anos e posso falar que demorou 20 anos pra ganhar o título. Como o Tunico (Maciel) falava: "você não ganha o Sertões, ele deixa você ganhar".


O Bissinho é um piloto revelação, piloto oficial da Honda, que dedicou a vida e a carreira para ser um piloto profissional. Ele merecia o título. E o seu companheiro, o Jean (Azevedo), é uma grande inspiração para ele. O Jean é o grande nome do Sertões, com sete títulos, assim como a Honda, que acumula dez títulos na prova. É uma geração muito bem formada e acredito que a Honda está muito bem preparada, com sede de vitória, e voltou a conquistar o título, que no passado foi da Yamaha, com o Adrien (Metge).


Além da competição, o Sertões tem seu lado humanitário, com ações sociais. A SAS Brasil atingiu neste ano o incrível número de mais de 14 mil atendimentos. Qual o sentimento que ficou depois dessa enorme e importante ação social da prova?

Os Sertões é um serviço à pátria. No rali, quanto pior, melhor, quanto mais desafiadora a estrada, melhor, e isso faz sentido. Mas o rali não é só levantar poeira, a gente vai para esses lugares quase inacessíveis e queremos deixar um presente, deixar um legado, que é saúde. É algo fundamental, e temos parceria com empresas como a Phillips, Hospital Albert Einstein, Unicamp, Roche, Mercedes-Benz, e a gente leva a saúde, um pouco de alegria para essas pessoas. São atendimentos médicos especializados com voluntários, e com esse trabalho diminuímos significativamente a fila do SUS, ou seja, só vamos para as cidades que estão a sete horas de deslocamento ou que têm IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) abaixo de 0,7.


É aquela história, a montanha que vai até Maomé. É uma medicina de qualidade, gratuita. São quatro atendimentos: dermatológico, ginecológico, oftalmológico e odontológico, e neste ano fizemos 14.000 atendimentos. É muita gratificação, nos sentimos muito motivados em colaborar de alguma forma. Procuramos contribuir com o desenvolvimento das cidades, colocando elas no mapa do destino turístico, como aconteceu com o Cânion do Viana, que virou quase um ícone do Piauí. Tinha um potencial enorme, mas se você não apresentar o seu potencial, ninguém toma conhecimento de que é verdade. O Sertões ajuda a dar significado a essas cidades, destinos turísticos que estão adormecidos, esperando alguma razão de existir. Não construímos nenhuma estrada, a gente só está lá e usa, coisas que estão adormecidas e têm potencial de emocionar os brasileiros e institutos internacionais.


Grandes marcas apoiaram a edição comemorativa. Quais foram os patrocinadores e como eles avaliaram a prova?

Como disse, o projeto dessa edição comemorativa foi de quatro anos e trouxe novos parceiros, como o principal patrocinador, o Banco de Brasília, que quer deixar de ser de Brasília para ser o Banco da Brasilidade. A Vivo, empresa que não está ligada diretamente com o motociclismo, entra por causa da tecnologia, com a cobertura telefônica. Tem o crédito de carbono, com a Ambify; a Mitsubishi, que está há 19 anos no Sertões, onde consegue comprovar a resistência dos seus veículos; e a Honda está com a gente há 11 anos. Nesses últimos casos, penso que todo evento que mantém o mesmo patrocinador é algo gratificante.


Apesar do enorme sucesso, acredita que faltou algo nesta edição? Mudaria alguma coisa?

Eu estaria sendo ingrato se dissesse que mudaria algo. É óbvio que eu fiz a receita, com a força de Deus. Acreditamos que estamos desenvolvendo o esporte no Brasil, mas acreditamos também que a prova está servindo à pátria também. O Brasil é um país de grandes dimensões e o Sertões quer mostrar ao seu povo todo o seu potencial. Se os Sertões fosse na Europa ou na Ásia, as pessoas viajariam para lá para fazê-lo, mas ele está em nosso país, é um evento grande e obviamente que ele estressa. A palavra evento vem de eventualidade, então, a única certeza que a gente tem aqui é que não vamos conseguir prever todos os acontecimentos no Sertões.


Queremos dar esse presente para o Brasil, e o que mais nos orgulha são as pessoas que colaboram. Com certeza, é um time de pessoas incansáveis, sonhadoras, pessoas que querem se sentir úteis. Realmente é um trabalho que, além de gratificante, mexe com a economia das cidades, com o imaginário das pessoas e com a autoestima dos competidores. Porque hoje a tecnologia tira muito da aventura, tira o prazer, o descobrir. Você sabe que tem um acidente ali depois da curva pelo Waze ou Google; você sabe qual o restaurante que tem de ir para apreciar um determinado prato. Então, penso que o Sertões vende muito a vida. Como ela deveria ser, que é uma vida aventureira, simples, de autoconhecimento, é de saber se gerir, administrar suas frustrações. O Sertões ajuda as pessoas a crescerem e mexe com o melhor do ser humano. E para isso nós criamos um time, e conseguimos fazer o maior rali do mundo. Mostramos que é possível fazer. E saímos seres humanos melhores porque temos que renunciar a muita coisa para fazer essas confusões.


Depois desta edição comemorativa, o que podemos esperar do próximo Sertões? Teremos novidades?

Sim, estamos preparando um formato diferenciado. Nós esticamos bastante a corda, colocamos as máquinas, competidores e equipes nos seus limites, físicos e psicológicos. Agora a gente vai afrouxar um pouco, mas não em nível de dificuldade. O Sertões vai voltar para as condições normais de temperatura e pressão, mas sem exigir muito do apoio. Estamos chamando de um formato “margarida”, onde o competidor larga e chega na mesma cidade, e enquanto o competidor está correndo a prova, a equipe de apoio não precisa se deslocar. Com isso a equipe economiza bastante, exonera bastante o orçamento da equipe, que fica durante os sete dias de prova em três ou quatro cidades. O piloto faz uma alça, e isso é bom para as cidades anfitriãs, as cidades se beneficiam mais – o evento deixa um milhão de reais por dia em cada cidade. É bom para a equipe, que não vai ficar montando e desmontando acampamento, e é bom para a população, que vai interagir mais.

Gostaria de aproveitar a oportunidade para convidar as pessoas para o Sertões Experience, a conduzir um UTV, que acontece o ano inteiro em Jericoacoara (CE). E convidar as pessoas que querem sentir o gostinho da aventura com segurança através das expedições Sertões, que são em veículos tradicionais 4x4 e acontecem sempre em algum lugar fascinante no Brasil. Então, tem espaço para todo mundo, tem espaço para quem quer competir, para quem quer se divertir e para quem quer trabalhar como voluntário. Como disse, o Sertões é um convite para o brasileiro conhecer o Brasil!




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