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Entrevista - Fausto Macieira



Fausto Macieira é um ícone da televisão brasileira quando o assunto é motociclismo, principalmente pelos comentários na MotoGP, iniciado há anos e continuando até hoje. Praticante do motocross nos anos 1970 a 1990, Fausto sempre esteve relacionado com o motociclismo nacional. Ele chegou a colaborar na Dirt Action em muitas temporadas, inclusive no vídeo sobre o Motocross das Nações de 1998, realizado na Inglaterra. Lançado pela revista, foi o nosso vídeo de maior sucesso.


Com estilo próprio e descontraído, Fausto e seu famoso "braaapp" continua brilhando no cenário nacional, seja no motociclismo on-road ou off-road, e dedicamos algumas páginas nesta edição para conversarmos com essa figuraça, num bate-papo descontraído e cheio de alegria, típica do Fausto.


DA – Você está envolvido com o motociclismo há muitos anos. Com a sua experiência, como avalia a evolução da modalidade off-road?

FAUSTO – Salve, turma da Dirt Action, onde tive a satisfação de colaborar por muitas temporadas. Estou no motocross desde os anos 1970 e acho que as motos avançaram muito, bem como os equipamentos de proteção. Sobre as pistas, acho que já não posso dizer o mesmo. Com as exceções que confirmam a regra, elas são construídas cada vez mais longe e com menos recursos, daí o sucesso do AMA Supercross, que tem muito mais visibilidade e paga melhor do que o AMA Motocross, a ponto de a FIM (Federação Internacional de Motociclismo) homologar um Mundial de Supercross e os americanos apostarem alto nos playoffs do SuperMotocross. Em suma, melhoramos, mas está tudo muito mais caro e mais engessado. Infelizmente, isso não acontece só no Brasil. Pistas lendárias foram desativadas – viraram núcleos urbanos –, história apagada sem perdão.


Em todos esses anos, você cobriu grandes eventos internacionais, tanto no motociclismo on-road como no off-road. Qual foi o que mais marcou na sua carreira?

Caramba, difícil responder. Mas, fazendo um pódio: Motocross das Nações na Bélgica, em 2001, e na Inglaterra, em 1998 – na companhia divertida do Celestino Flaire Jr., editor da Dirt –; e GP da Holanda de MotoGP em 2013, com vitória do Valentino Rossi e Jorge Lorenzo em top 5 de ombro recém-operado.


Estamos vivenciando um dos grandes momentos do motocross nacional com a participação do brasileiro Bernardo Tibúrcio no Campeonato Europeu. Na sua opinião, o que isso representa para o esporte brasileiro?

Penso que representa esperança, de que o Bê continue se destacando e que a excelente estrutura montada pela Yamaha Racing Brasil abra um caminho promissor para outros brasileiros no exterior, em todas as modalidades.


E como avalia os resultados do Tibúrcio no Europeu e mesmo no Espanhol de Motocross?

Bastante bons para um ano de estreia. O apoio da Yamaha, do Alan Douglas e do Carlos Campano está sendo fundamental para que ele ganhe cada vez mais confiança e siga conquistando resultados expressivos para o motociclismo esportivo brasileiro.


Acredito que o maior sonho dos amantes do off-road é ter um brasileiro campeão do mundo, ou de campeonatos americanos. Depois de vários pilotos terem realizado grandes carreiras internacionais, como Antonio Jorge Balbi Jr. e Enzo Lopes, o que está faltando para termos um campeão mundial no futuro?

Acho que falta um projeto de longo prazo, como o que a Yamaha vem fazendo na motovelocidade e agora no motocross. A Copa YZ é um excelente caminho, há que se subsidiar novos talentos, o que acontece com o programa de incentivos bLU cRU. Precisamos de mais envolvimento, mais visibilidade, e a Internet permite isso, com transmissão das corridas ao vivo e gratuita. Os pilotos precisam ser mais valorizados, não se pode e não se deve colocar os negócios, os lucros, à frente do esporte.


Por falar em Mundial e Americano de Motocross, qual dessas competições você mais curte?

No início da temporada, a modalidade que eu assisto em qualquer situação é o AMA Supercross, que infelizmente está terminando. Espero que o título fique com o Ken Roczen na 450SX. O cara tem 32 anos, foi campeão mundial na MX2 em 2011, campeão na 250SX Oeste em 2013 (batendo o Eli Tomac) e desde 2014 persegue o título na classe principal do supercross. Mesmo com o megatombo de 2017, ele conseguiu se recuperar e foi campeão mundial de supercross em 2023. Mas a maior conquista ainda não veio. Neste 2026, andando de Suzuki, uma moto defasada, ele lidera no momento, e espero que consiga concretizar seu grande sonho.


Nos campeonatos brasileiros de off road, temos a presença de pilotos estrangeiros de alto nível, fato constatado há anos no esporte. Como avalia a presença de atletas internacionais nos campeonatos nacionais?

Acho muito boa. Vivemos isso desde a década de 1980, com Rodney Smith, Kenny Keylon, Jordi Elias e outros. Tinha estrangeiro até no Carioca de Motocross (risos). Acho que esse intercâmbio é bom, para que possamos aprender com eles, como aconteceu no passado. Porém, para cada estrangeiro, no mínimo as equipes devem contratar um brasileiro nas mesmas condições. Espero, sinceramente, que isso esteja acontecendo. Não tenho ido às corridas no Brasil e sinto falta delas, mas meus fins de semana são intensos. Fazer o quê?


Como você comentou, a Yamaha tem realizado nos últimos anos um grande investimento no off-road nacional, com o projeto BLU CRU premiando pilotos que utilizam suas motocicletas em diversos campeonatos, além da Copa Yamaha IMS YZ125 BLU CRU, com incentivos para os jovens pilotos. Como avalia esses projetos da marca?

Considero o projeto excelente, quem dera tivéssemos algo parecido na nossa fase de competições. Gostaria muito de rever o que aconteceu no passado: motos de competição a preços subsidiados, alojamento, alimentação e ajuda de custo para os pilotos, prêmios em dinheiro de largada e chegada, estacionamento gratuito para as equipes... Já tivemos bastante coisa nesse sentido, mas, pelo que sei, não temos mais.


Durante muitos anos você foi praticante do esporte off-road. Continua praticando hoje ou não sobra tempo para isso?

Sigo curtindo o Planeta Terra como posso. Tenho duas Landers, uma com pneus de cross para pequenas aventuras. Não tenho muito tempo e as sequelas da idade pesam. Mas se tivesse tempo e recursos, escolheria uma Yamaha YZ125. As 2T (2 tempos), todas, têm som e aroma incríveis, encantadores, inesquecíveis. Ah, as 250 2T também, mas aí têm que ter chassi de alumínio e, sobretudo, juventude (risos).


Abraços a todos os amigos e leitores da Revista Dirt Action. Braaaaaap!


 
 
 

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