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Entrevista - Enzo Lopes


Foto Guilherme Lima

Nosso maior representante internacional no off-road, o gaúcho Enzo Lopes, tem enfrentado grandes desafios na sua participação dos campeonatos americanos. Alegrias e decepções têm acompanhando sua carreira internacional, mas sem se entregar ou mesmo desanimar, ele continua acelerando tudo – e até mais um pouco – do que sabe. No início desta temporada do supercross, mesmo na região considerada a mais forte, tem colhido resultados incríveis. Diante de tantos momentos inesquecíveis, conversamos com o piloto brasileiro que está cada vez mais próximo de um pódio e, quem sabe, de uma vitória.


Quando Enzo decidiu abandonar os campeonatos brasileiros, talvez não tivesse o total conhecimento do quanto é duro e difícil uma carreira internacional, principalmente nos Estados Unidos, onde os maiores nomes do planeta se duelam para conquistar espaço na indústria americana. Não faltam são desafios e adversários destemidos e determinados, e para chegar onde ele chegou, enfrentou dificuldades dentro e fora das pistas, encarando de frente decepções que não lhe intimidaram. Pelo contrário, elas o tornaram mais forte e determinado.


Nesta temporada, o gaúcho está na região considerada a mais forte do campeonato americano de supercross, mas não se intimidou. E mostrou que tem talento e velocidade para enfrentar os mais rápidos da categoria, como quando fez o melhor tempo em uma qualificatória em Anaheim 1, deixando caras como o rápido Jett Lawrence (Honda) para trás. Dando continuidade à sua parceria com a equipe ClubMX Yamaha, Enzo ocupava a quinta posição no campeonato, sendo o quarto lugar seu melhor resultado neste começo de temporada. Mas, com certeza, ele busca um pódio e, claro, uma vitória neste ano.


DA – Nesta temporada você está competindo na Costa Oeste. Qual foi o motivo da mudança, depois de competir na Costa Leste no ano passado?

ENZO – Era para eu fazer a Costa Leste de novo, mas no dia 16 de outubro, passei por uma cirurgia, do túnel do carpo, para resolver um problema que tinha no braço. Mas, conforme fui treinando, melhorando e progredindo muito rápido, mais rápido do que imaginei, o time decidiu me colocar na Costa Oeste, que aconteceria primeiro, porque normalmente os pilotos mais rápidos estão na primeira Costa. É assim que funciona nos Estados Unidos. Não foi uma decisão minha, e sim do time. Só topei porque eu já estava me sentindo bem. A primeira e única vez que eu fiz a Costa Oeste foi em 2019. As coisas aconteceram como tinham que ser.


Comenta-se que a Costa Oeste é mais competitiva. Você concorda?

Especialmente neste ano, não é só um comentário, é um fato, até porque muitos pilotos da Costa Leste se lesionaram e no momento não está tão forte quanto a nossa. Nossa Costa tem vários pilotos bons e nenhum deles está machucado. Acho que, independentemente da região, nunca é mais fácil, mas tem mais pilotos rápidos na minha. Isso não quer dizer que a Leste é fácil, não é isso. Mas a Oeste tem um brilho a mais, por começar antes, em janeiro, por ser na Califórnia, em Anaheim.


Você teve problemas no antebraço no ano passado e inclusive passou por uma cirurgia. Como está se sentindo neste ano?

Essa foi uma das questões mais difíceis para mim nos últimos anos. Desde 2020 que eu vinha sofrendo muito com uma lesão no antebraço e desde então eu não consegui achar exatamente o porquê do sintomas que tinha. Cheguei a passar por uma cirurgia de "arm pump", que foi um erro. Eu nunca tive isso na vida, mas acabei fazendo por conta da limitação que estava tendo no braço. Acabou que não era esse o problema que eu tinha, porque continuaram os mesmos sintomas.


Mas tudo mudou graças ao Dr. Josép, um médico na minha cidade que descobriu que eu estava com a síndrome de túnel do carpo. Passei por uma cirurgia de meia hora e voltei a andar após três semanas. Durante 23 anos, a gente ficou caçando uma coisa gigantesca. Acharam que era alguma coisa numa veia da minha clavícula, por conta de uma cirurgia no passado, aí não acharam mais isso e, enfim, passei por inúmeros médicos, clínicas e outros profissionais. E era uma coisa muito simples. Graças a Deus, a minha velocidade e minha confiança falam por si. No ano passado, eu sempre tive velocidade, mas eu não conseguia andar mais do que 3 voltas por conta desse problema. Hoje eu consigo andar sem dor, sem problema nenhum. Foi um alívio. Com certeza, tudo que passei foram passos que eu precisava dar na minha carreira.


Falando sobre sua nova Yamaha, a equipe manteve os mesmos ajustes do ano passado ou foi preciso promover mudanças?

Essa é uma pergunta boa. Desde quando eu cheguei na equipe, na metade de outubro, se não me engano, falei pra eles que queria a mesma moto que tinha andando em Salt Lake City, onde virei o melhor tempo, um dia muito bom, que senti totalmente conectado com a moto, eu e a moto como um só. Desde então, os acertos foram bem menos frequentes. Quem me conhece, que está presente no meu dia a dia, sabe que não sou muito apegado a "startup" de suspensão, essas coisas, como alguns outros pilotos. Eu meio que ando com o que tem e tento melhorar o que me foi dado. Mesmo assim, a maioria das vezes é difícil eu mudar alguma coisa, porque eu não sinto muita coisa. O "setup" é basicamente o mesmo, a gente testou e mudou algumas coisas. Testei algumas outras peças da moto que pra mim não fizeram muita diferença, então me mantive no que eu estava confortável. Foi isso. Basicamente, é como se fosse a mesma moto.


Existe uma grande distância entre a sua moto e as da equipe Yamaha oficial?

Acredito que não. Até porque o Jeremy Martin, que está no time, acabou de testar e ele falou que a moto não deixa muito a desejar, é comparável ao modelo da fábrica. A moto é muito boa. E as minhas largadas melhoraram. A gente fez bastante testes de largada porque eu estava pecando bastante nessa parte. A moto está muito boa, muito boa mesmo, e acredito que a diferença para uma moto de fábrica não é muito. Estou superconfortável na minha moto.


Você teve um início surpreendente neste ano, conquistando grandes resultados. Como avalia sua estreia na nova região?

Foi um começo muito bom para mim, muito bom mesmo. Eu não posso dizer que eu não esperava isso, porque estava indo bem nos meus treinos no clube na pré-temporada, que foram muito bons. Eu me sentia muito bem, mas ninguém vê treino. Então, acho que ninguém da indústria, nenhuma pessoa, esperava que eu começasse tão bem. Fazer o melhor tempo no treino em Anaheim 1 foi ótimo e o sexto lugar na final foi incrível. Depois fiz um quarto lugar em San Diego, meu o melhor resultado até hoje. Foi muito, muito bom. O próximo passo é alcançar mais, e a velocidade não está sendo um problema, o que me falta é, talvez, a mentalidade. Mas foi um começo muito, muito positivo para mim e estou muito feliz. Foram inúmeros treinos e horas de trabalho para chegar no nível que estou.


Você esteve próximo de conquistar um pódio. O que está faltando para subir nele?

Como falei antes, acho que o que falta só a parte mental, virar a chave e acreditar que sou um dos caras, com a mesma mentalidade deles. Tive isso em Daytona no ano passado, dar tudo de mim e esquecer o resto, esquecer o barulho, esquecer todo mundo ao redor e fazer minha parte. A velocidade está lá, é só acreditar com alma e coração.


E qual é o seu objetivo para esta temporada? Em qual posição pretende finalizar o ano?

Meu objetivo para esta temporada é basicamente dar o meu melhor em cada uma das etapas. Não tenho a expectativa de ser top 5 no campeonato. Não porque eu já fiz isso duas vezes. Acho que vou levar corrida a corrida. Quero melhorar mais os resultados, seja um pódio ou uma vitória. Eu quero estar em todas etapas e estar no melhor. Se eu der o meu melhor, 110%, sei que o resultado será muito, muito bom. O objetivo é estar nas etapas, estar lá para brigar e ir para cima.


Você vai competir no motocross?

No momento, não vou correr no motocross, talvez no Mundial de SuperMotocross, que está sendo acertado com a equipe.


Na temporada passada, alguns pilotos, incluindo candidatos aos títulos, criticaram as pistas do AMA, que estavam mais perigosas. Acredita que as pistas precisam reduzir os riscos?

Não sou muito apegado nisso. Se a pista está difícil para mim, está difícil também para os outros. Mas realmente, especialmente a pista da última etapa, em Oakland, foi a mais difícil que eu já andei na minha vida de supercross, estava muito difícil. Mas eu prefiro assim porque quanto mais técnica a pista, mais os pilotos se distanciam. Quando a pista é muito fácil, muito lisa, todo mundo consegue acelerar. Então, quanto mais difícil, melhor para mim, melhor para o meu estilo de plotagem.











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