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Entrevista - Carlinhos Romagnolli

27 de jul.
4 min de leitura


Em sua 28ª edição do Arena Cross, um dos campeonatos mais prestigiados do cenário nacional, se prepara para a grande final no Festival Interlagos, depois das duas primeiras etapas nas cidades paulistas de Indaiatuba e Jundiaí. Com a casa lotada e disputas intensas, a final promete ser novamente emocionante, e para falar da temporada, conversamos com um dos responsáveis pelo evento, Carlinhos Romagnolli.


DA – Como foram os preparativos para 2026, que neste ano tem rodada dupla no Festival Interlagos?

CARLINHOS – O Arena Cross é sempre desafiador, pois sabemos que todos esperam muito do evento, inclusive nós, pois já são 28 anos de uma história bonita que consagrou pilotos, equipes e marcas, nosso maior desafio.


É sempre manter nossa estrutura em perfeitas condições para oferecer segurança e conforto, são muitas carretas carregadas de arquibancadas, camarotes, tendas, material para montagem de salas, sistema de iluminação... Enfim, são muitos itens, pois é importante destacar que, de um terreno baldio, criamos um espaço para um evento que recebe um público de cinco mil pessoas nas arquibancadas, 400 convidados nos camarotes, 1.000 pessoas nos box, entre pilotos, equipes e jornalistas. E para cada setor nís precisamos de praça de alimentação, energia, temos sanitários de alto nível climatizados e mais de 150 profissionais trabalhando para que tudo aconteça como planejado. Um verdadeiro desafio manter o padrão que, graças a Deus, o Arena Cross alcançou.


E qual é a sua expectativa para a Super Final em Interlagos, considerado o templo do motociclismo nacional?

Nós vimos na edição anterior as arquibancadas lotadas e filas intermináveis esperando para entrar no evento. Para nós, realizarmos a final em interlagos, templo que consagrou Ayrton Senna, é um privilégio e uma emoção muito grande, principalmente dentro de um evento grandioso como o Festival Interlagos, onde todas as principais empresas do nosso setor estão presentes. Acho também que, para o Festival, receber uma competição reconhecida internacionalmente e estruturada como o Arena Cross acrescentou muito ao evento. Sem dúvida, uma parceria de muito sucesso. Importante destacar que eu e o Marcinho (responsável pelo Festival Interlagos) somos amigos há mais de 30 anos, então não tinha como dar errado.


O Arena Cross retornou à cidade paulista de Indaiatuba, que foi palco da abertura do campeonato. Como surgiu a oportunidade para esse retorno?

O Arena Cross foi sucesso em Indaiatuba na época que o Reinaldo Nogueira era prefeito. A cidade respira motocross e teve dois dos maiores pilotos do País, Rogério Nogueira e Nuno Narezzi, e foi justamente o Rogério o grande responsável pelo retorno do Arena Cross a Indaiatuba, em parceria com o atual prefeito, Dr. Custódio, e decidimos realizar a primeira etapa do campeonato na cidade maravilhosa, como é conhecida.


Como avalia a primeira etapa?

Eu avalio de forma positiva, o evento estava lindo, com uma produção de luzes, painéis de LED (quatro unidades), show pirotécnico na abertura oficial, som e efeitos especiais que deram um charme especial ao evento, arquibancadas e camarotes lotados, gates cheios em todas as categorias, a presença do cantor Mauricio Gasperini (ex-vocalista da banda Rádio Táxi) cantando o Hino Nacional, a Babi Rossi (ex-paniquete), nossa garota da placa com mais de 1,5 milhão de seguidores, e não faltou emoção na pista. Ou seja, os comentários, tanto nas redes sociais como de patrocinadores e de própria mídia, foram muito positivos. Sensação de missão cumprida.


Mais uma temporada com a participação de pilotos estrangeiros de alto nível. Como vê essa presença internacional para o campeonato?

O Arena Cross está muito bem comentado no exterior, por ser um evento de alto nível, com pessoas sérias e competentes tanto no comando do evento como na direção de prova, e essa mistura tem atraído cada dia mais pilotos interessados em correr o Arena. Outro fato determinante para o crescimento desse interesse dos pilotos de fora foi a presença de Justin Barclay e Alphi Smith, dois dos maiores construtores de pista do mundo, que deixaram as pistas técnicas, com nível de mundial e AMA Supercross.


Nessa temporada, temos grandes nomes, como Dean Wilson (campeão de 2025), do Reino Unido; Kyle Peters (5x campeão do Arenacross americano), dos Estados Unidos, que certamente virá forte para a próxima etapa; Zack Williams, também americano, e o espanhol Joan Cros, estrangeiros que só correm no Arena Cross. E temos ainda o português Paulo Alberto, o francês Greg Aranda e o argentino Tomas Matkovich. É uma legião de estrangeiros que, somados aos ídolos brasileiros, engrandecem o evento. Importante destacar que na categoria MX2 temos vários estrangeiros de altíssimo nível, e até na categoria 50c, onde tivemos um chileno como vencedor.


Temos visto a divulgação de campeonatos brasileiros nas mídias internacionais, além dos comentários positivos sobre esses eventos de pilotos estrangeiros que competem aqui e do interesse cada vez maior de pilotos estrangeiros em correr no País. Acredita que o Brasil está em alta no motociclismo mundial?

Eu não tenho dúvidas que estão nos vendo com outros olhos, como um bom mercado para competirem com bons contratos, tudo graças ao investimento das marcas nas equipes cada dia mais estruturadas. Os eventos, como disse anteriormente, são realizados com muita responsabilidade e oferecem segurança para os estrangeiros virem participar. Temos que ter serenidade e continuar trabalhando para manter esse padrão. E fica um alerta para a Confederação, Federações e a todos nós envolvidos: os gates cheios não condizem com a realidade atual da categoria MX1 ou Pró, como queiram chamar, temos muito poucos pilotos brasileiros chegando até essa categoria, e sem os estrangeiros não temos oito pilotos para um gate nessa categoria, o que é preocupante.


Quero finalizar agradecendo a Dirt, pelo espaço e apoio ao Arena Cross, aos nossos parceiros – Monster, Honda, Pro Honda, Sportbay, Yamaha, Kawasaki, Pirelli, Motul, Bieffe, as Prefeituras de Indaiatuba, Jundiaí e São Paulo, as Secretarias de Turismo da cidade de São Paulo e a de Esportes do Estado de São Paulo e aos deputados estaduais Rogério Nogueira e Rui Alves. Graças a essas empresas, órgãos públicos e políticos comprometidos com o esporte é possível proporcionar uma competição como o Arena Cross, que por onde passa deixa também um importante legado social.


 
 
 

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