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Entrevista - Bruno Crivilin



Parece que o capixaba Bruno Crivilin não se cansa de novos desafios. Ele colecionou títulos no Brasileiro de Enduro, fez grandes participações no Six Days, encarou o Mundial de Enduro, se transferiu para o Brasileiro de Rally e, se tudo isso não bastasse, aceitou de última hora integrar a equipe oficial da Honda no Mundial de Rally e na semana seguinte participou da etapa do Mundial na Argentina, vencendo uma etapa e finalizando essa estreia no segundo lugar da prova na sua categoria!


Talento ele tem de sobra, assim como determinação e garra ao encarar cada desafio. E ele é novamente o nosso entrevistado, abordando sobre seu novo desafio!


DA – Surpreendendo o esporte nacional, recebemos a notícia da sua contratação pela equipe (oficial) Monster Energy Honda HRC Rally para o Mundial de Rally Raid, na categoria Rally 2. Como surgiu essa oportunidade?

BRUNO – Realmente fiquei muito feliz em ser apresentado como novo piloto oficial da Monster Energy Honda HRC Rally, para competir na categoria Rally 2. Essa possibilidade já vinha sendo trabalhada há algum tempo. Eu estava em contato direto com a Honda do Brasil e com a HRC, junto ao Ruben Faria, que é o chefe de equipe. Já haviam algumas conversas e, depois que eles estiveram aqui no Rally dos Sertões do ano passado, essa chance começou a se tornar mais concreta. Agora, para a temporada de 2026 e já pensando no Dakar de 2027, conseguimos alinhar e acertar tudo. Estou muito contente por defender a Honda também na equipe oficial e por poder representar o Brasil nesse novo desafio.


Mesmo com o pouco tempo de contato com a equipe e com poucos testes com a motocicleta, como tem sido esses primeiros momentos com essa poderosa equipe de fábrica?

Eu tive contato com a equipe oficial por cerca de 11 dias, que foi o período que fiquei na Argentina para o Ruta 40. Mas eu já conhecia alguns pilotos, alguns mecânicos e também o chefe de equipe, além de parte do staff. Então, não foi tudo novidade nesse sentido. O que realmente foi novo foi vivenciar a rotina da equipe por dentro, estar inserido no ambiente da equipe.



A moto é a mesma que utilizo nesta temporada no Brasil, então não foi uma completa novidade. Fizemos alguns ajustes diferentes, coisas que eu ainda não conhecia e que vão me ajudar também nas provas aqui no Brasil. Tem sido uma experiência muito positiva e é realmente muito importante estar dentro de uma equipe de fábrica.


Como foi a adaptação com a sua Honda oficial? Deu tempo para os devidos acertos?

Como eu comentei, a moto que utilizo na HRC é praticamente a mesma que tenho aqui no Brasil nesta temporada. É uma moto que a Honda disponibiliza em edição limitada, com apenas 50 unidades produzidas no mundo. Ou seja, é uma moto que qualquer pessoa pode comprar. O que muda são os ajustes feitos para mim, de acordo com o meu estilo de pilotagem, além de alguns acertos específicos da equipe. No fim, é realmente uma moto de série, competitiva e acessível, que qualquer pessoa pode adquirir e correr. Achei isso muito interessante porque mostra que é uma moto preparada para todos e, ao mesmo tempo, capaz de competir em alto nível.


O primeiro desafio foi a terceira etapa do Mundial, o Desafio Rute 40, na Argentina, ou seja, pouco tempo para conhecer as novidades e de imediato uma prova do Mundial. Como foi essa experiência?

Logo de cara entrei no Ruta 40, que é uma das provas mais duras do campeonato, pelo que todos comentam. Foi minha primeira vez nessa competição, embora eu já tivesse estado em San Juan em 2023, para correr o Six Days. Lá rodamos muito, cerca de três mil quilômetros, além dos treinos. Foi novidade para mim andar nas dunas e também a navegação por CAP, que é bem mais complexa do que temos no Brasil. Na navegação por CAP o piloto tem que andar no rumo indicado pela bússola, o piloto precisa manter a moto apontada para uma direção específica, por exemplo a 120°. Esse tipo de navegação exige muito treino e experiência. Mas, no geral, correu tudo bem. Tive algumas dificuldades em pontos específicos, que agora preciso trabalhar e treinar para melhorar. Mas gostei muito de como a prova se desenvolveu para mim.


E, para delírio dos fãs brasileiros, você venceu o primeiro dia de prova. Esperava esse resultado neste curto contato com tudo novo, digo moto, equipe e Mundial?

Vencer o primeiro dia foi uma surpresa até para mim. Claro que eu queria competir e estar entre os primeiros, mas não imaginava que brigaria pela vitória logo de cara. Fiz uma prova limpa, tranquila, prestando muita atenção na navegação, que para mim é fundamental aprender nesse momento. Como largava um pouco mais atrás, tinha algumas marcas no chão que ajudavam. Mas eu não queria apenas segui-las, queria realmente navegar para ganhar experiência e estar preparado para quando largar mais à frente, sabendo exatamente para onde estou indo. Quando soube que tinha vencido o dia, fiquei muito feliz, foi uma sensação incrível, quase sem acreditar. Foi nostálgico para mim sentir de novo o gosto de vencer uma etapa de Mundial, agora no rally. Espero poder repetir essa sensação muitas vezes daqui para frente.



Ao final da prova, você garantiu o segundo lugar na geral da categoria. Como foi essa conquista?

No final, conquistar o vice-campeonato da categoria Rally 2 logo na minha primeira participação no Ruta 40 foi muito importante para mim e para a equipe. Fiquei bem contente porque depois do primeiro dia percebi que tinha velocidade para andar na frente, mas procurei sempre manter a calma. O rally é muito longo e, principalmente lá, é bem diferente do que estamos acostumados no Brasil. Preferi não correr grandes riscos e focar em aprender e absorver o máximo possível, já que ainda não tenho tanta experiência quanto a maioria. No geral, foi uma conquista especial e única, subir mais uma vez ao pódio com a bandeira do Brasil em uma prova do Mundial.


E como fica a sua situação no Brasileiro de Rally? Você continuará participando do campeonato, mesmo tendo que competir nas próximas etapas do Mundial, que acontecem em Marrocos, entre os dias 28 de setembro a 3 de outubro, e a final nos Emirados Árabes, entre os dias 22 a 27 de novembro?

Aqui no Brasil sigo o mesmo formato. Tenho muita vontade de vencer também aqui. Então, junto com a Honda do Brasil e o Darinho (Dário Júlio, chefe de equipe), seguimos todo o calendário de provas do rally aqui também. Nenhuma etapa do Brasileiro coincide com alguma do Mundial, o que facilita bastante para continuar competindo aqui. O foco agora é aproveitar esse tempo no Brasil para treinar os pontos que tive mais dificuldade lá fora e estar o mais forte possível nas provas daqui. Temos o Rally Jalapão pela frente e depois o Sertões, que é uma prova grande e muito importante. Então o foco continua firme também no Brasileiro.


Você tem como companheiros de equipe o português Martim Ventura e o americano Preston Campbell. Como foi o primeiro contato com eles, que são seus adversários na categoria?

Na Rally 2, tenho o Martim Ventura e o Preston Campbell como companheiros de equipe, e trabalhamos juntos para que a Honda vença. Mas, claro, quando começa a corrida, cada um é rival do outro. A gente se dá muito bem, a relação tem sido muito boa, um ajudando o outro no que for possível, e eu também me dei muito bem com eles. Principalmente com o Martim, porque falamos a mesma língua. Está dando tudo certo até agora e, no fim das contas, o importante é que a Honda vença. Mas, lógico, prefiro que seja eu!


Como está sendo esse momento da sua carreira, com tudo acontecendo tão rápido, depois da grande mudança do enduro para o rali e de uma equipe brasileira para uma equipe oficial do Mundial?

Está sendo um momento muito especial na minha carreira, uma mudança que aconteceu de forma bem rápida. Mas, olhando para trás, acho que muita coisa na minha trajetória aconteceu mais rápido do que eu esperava. Agora surgiu essa oportunidade e eu preciso agarrá-la da melhor maneira possível, viver cada momento e aprender em cada experiência, porque espero ir longe no rally. É uma fase nova, fazendo parte de uma equipe oficial, mas sem deixar de lado o Brasil, que para mim também é muito importante. Me dedico bastante para ter bons resultados aqui e vencer. Agora é seguir firme e ver até onde conseguimos chegar no rally.


 
 
 

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