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Entrevista - Adrien Metge


Fernando Genaro

Uma das mais difíceis provas de off-road é o rali, por ser longa, de altas velocidades em terrenos variados e em locais normalmente desconhecidos, onde a sua bússola é uma planilha. É uma modalidade de grandes desafios altamente estressantes e desgastantes, tanto para os pilotos como para as motocicletas, e onde prever o vencedor é muito difícil. Os pilotos passam horas em cima das suas motocicletas em velocidades altíssimas brigando contra o tempo, e isso em uma pilotagem extrema. Então, a vitória em uma prova de rali precisa ser muito comemorada.


Um dos destaques do campeonato nacional é o francês Adrien Metge, da equipe Yamaha IMS Rally, que chegou ao Brasil em 2014, retornou para a Europa dois anos depois e voltou ao campeonato brasileiro pela Yamaha, garantindo dois títulos nacionais, apesar de ter ficado de fora de duas edições do Sertões. Técnico e quase preciso, Adrien começou a temporada 2023 vencendo as três provas em Minas Gerais, mesmo na chuva e no piso liso, que trouxe muitos pesadelos aos participantes, inclusive ao próprio francês.


DA – Você fechou o ano passado como campeão brasileiro de rali. Como foi a temporada?

ADRIEN – Foi uma boa temporada, o segundo título de campeão brasileiro de rali. Lutamos durante toda a temporada, só faltou vencer o Sertões, prova bem grande, com muitos dias de competição. Tivemos alguns problemas, mas o rali é assim, com muitos dias, muitos quilômetros, calor, poeira, todo tipo de terreno e chuva. É muito desgastante para a moto e para o piloto. Mas estou feliz com o resultado, mais uma vez ser o campeão é algo de se comemorar. E é muito bom porque mostra que a equipe está fazendo um trabalho bom.


Mesmo sendo o grande favorito ao título do Sertões, o título lhe escapou das mãos. Como foi ficar de fora da disputa?

É sempre triste ficar de fora de uma grande prova, ainda mais depois de vencê-la em 2021. Eu estava bem preparado para tentar vencer mais uma vez, e comecei bem em 2022. Mas, como disse, o rali é assim, uma prova muito longa, como o Dakar, prova entre 10 e 15 dias, e pilotos oficiais podem ficar de fora da disputa do título por uma queda ou problema na moto, entre outras situações. São muitos dias, muitos quilômetros. E é muito desgastante porque uma prova de rali é muito rápida, tudo no giro alto, muita força, em diversas condições de terreno muito diferentes, com chuva, frio, poeira e areia. Tudo pode acontecer em tantos dias. Infelizmente, fiquei de fora em 2022, sofremos as dificuldades do rali.


A sua motocicleta recebeu alguma mudança para esta temporada ou permanece a mesma da temporada passada?

Na verdade, a minha moto não tem muitas mudanças, são poucas coisas que alteramos, principalmente para adaptar o modelo para o rali, como o tanque de combustível para maior autonomia e a torre de navegação. E tem algumas peças que todos utilizam na modalidade, permitindo que a motocicleta possa aguentar uma prova tão longa e desgastante. Realizamos a preparação da suspensão, a regulagem para adaptar ao combustível brasileiro, melhoramos alguns componentes da moto para ela funcionar melhor em altas temperaturas e instalamos um sistema de navegação novo e atualizado. Na preparação da suspensão, o objetivo é ter uma moto que me permita pilotar o mais rápido possível com maior controle.


Gustavo Epifânio

Você começou 2023 vencendo a primeira prova da temporada, em Araxá (MG). Como foi o início do campeonato?

Foi uma abertura muito boa, consegui vencer os três dias da prova, mas foi muito difícil, altamente difícil, e acho que foi assim para todos os pilotos. Notei isso logo depois da chegada, quando notei muitos pilotos chegando com a moto danificada ou lesionados, devido às quedas. Não estou acostumado com isso, realmente estava muito liso, muito perigoso. Tinha muitas plantações e estradas de terra com piso duro, que a chuva deixou muito liso. Com a velocidade que se tem no rali, que é alta mesmo nessas condições, a moto pode até patinar, mas como os percursos são longos e moto consegue velocidade, era muito, muito fácil cair.

Sabia que cair era fácil, então, fiquei apreensivo a cada largada . Mas a prova foi boa para mim, principalmente depois que acabou (risos). Pena que choveu, pois o lugar era muito bonito e com certeza seria um rali fantástico, mas tivemos que enfrentar a chuva e o piso liso.


Qual é a sua opinião sobre o campeonato nacional? Acha que é preciso mudar algo?

Vejo que a velocidade do resgate vem melhorando a cada ano e sugiro que as melhorias continuem. A referência da atualidade é o Dakar, e o rali brasileiro está bem próximo em relação à velocidade e à qualidade do resgate.


Seu companheiro de equipe, Ricardo Martins, é um grande piloto e também já conquistou o Sertões. Como é competir com um companheiro tão talentoso?

É muito bom tê-lo como companheiro, ele tem uma grande experiência no rali brasileiro. Aqui tem algumas coisas diferentes, como tipo da planilha e organização de prova, ou seja, alguns detalhes que são diferentes no Brasil. A gente conversa muito e ele tem me ajudado nisso, a me adaptar ao campeonato e às suas regras. Venho competindo no Brasil desde 2014, acabei voltando para a Europa em 2016, e quando voltei a competir aqui, ele ajudou na minha readaptação.


Ele tem também muita experiência com a motocicleta, faz anos que ele corre com ela. Então, ele foi fundamental na minha adaptação com esta motocicleta. E eu também pude passar experiência, que procuro transmitir para ele. Resumindo, a gente se completa.


Como é a sua rotina de treinamento? Como se prepara para as etapas do Brasileiro?

Não tem nada muito diferente dos outros pilotos. Fico mais tempo na França, e lá treino motocross e enduro com os pilotos amigos e também ando de bicicleta. Faço o básico, nada diferente dos outros. E quando chego no Brasil eu pego a minha moto de rali para me acostumar com ela e vou para as etapas do Brasileiro. Corro aqui desde o final de 2014, mas sinto que ainda estou me adaptando com o ritmo do rali brasileiro.


Você tem uma longa carreira internacional no rali e acumula títulos. Apesar de ainda ser cedo para falar sobre isso, já planejou o que pretende fazer quando se aposentar? Tem outros desafios a encarar?

Não tenho certeza ainda do que vou fazer. Seguir os passos do meu pai na nossa empresa de terraplanagem é uma opção. Gostaria muito de passar uns anos vivendo no Brasil, mas a decisão não é só minha, já que tenho filho e esposa. Sou graduado para dar aulas de pilotagem na França, o que pode abrir algumas portas também.


Com sua experiência internacional, como avalia o rali nacional? Como é competir no Brasil?

Gosto muito de andar no Brasil, pois é um país bonito e as provas são muito técnicas.


Para finalizar, o que você gosta de fazer, além do motociclismo? Como relaxa nas férias?

Eu gosto de fazer atividades outdoor, como caminhar na montanha, andar de bicicleta e snowboard no inverno, essas coisas. Não curto muito ficar deitado na praia. Na verdade, não consigo ficar sem fazer nada (risos), sou impaciente, então se não estou andando de moto, procuro atividades similares (risos).













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