Ninguém pode negar que a Yamaha surpreendeu a todos quando apresentou sua nova 450cc, já que provocou um “tititi” na imprensa e no mercado nunca antes visto. Todos apostavam que ela iria apresentar seu novo modelo com injeção eletrônica, mas antes da sua apresentação, que teve um certo atraso (talvez proposital), a internet passou a distribuir imagens de um projeto “maluco”, onde a nova YZ 450F apresentava um motor revolucionário, “invertido” (rotação de 180º no eixo vertical) se comparado com os atuais, com a admissão recebendo o ar frontalmente e a saída do escape localizada na parte traseira do motor.
Aquilo virou uma febre. Muita gente acreditou na informação, outros pensaram que era um trote, alguma brincadeira desses internautas malucos. A Yamaha aproveitou o momento e colocou no site YouTube, um vídeo com seu garoto propaganda James Stewart brincando com outras celebridades e pilotos da marca sobre as possíveis novidades na YZ 450F 2010. Isso só aumentou a curiosidade, talvez como nunca antes tinha sido visto em um lançamento de motocicletas de motocross. Então, mais mistério.
Como anunciado, finalmente no dia 8 de setembro de 2009 a Yamaha apresentou a sua nova 450cc, que era exatamente igual àquele “projeto maluco”, provando que a fábrica tinha decidido inovar novamente com uma motocicleta revolucionária.
Nós fomos a primeira revista no planeta a apresentar o primeiro teste com essa moto, graças ao nosso colaborador internacional – e ela foi muito bem naquele primeiro contato, provando que a fábrica revolucionou e não errou.
Novidade high-tech
O motor revolucionário do novo modelo da Yamaha “perdeu” uma válvula: possui agora apenas quatro. Falando nele, não podemos esquecer que essa “troca de posições” (sem malícia) entre admissão e escapamento levou os engenheiros da fábrica a mexer no cilindro, que foi “jogado para trás” (está inclinado por 8,2º, mais de 12º se comparado com o modelo 2009). Assim, surgiu um visual fora dos padrões. Isso permitiu também uma maior concentração de massas em movimento numa posição mais central. Ainda no motor, o eixo do virabrequim foi deslocado em relação ao do pistão. Agora, no momento da combustão, por exemplo, o movimento de descida do pistão é favorecido, solucão que minimiza o atrito deste nas paredes do cilindro e melhora a resposta do motor.
Todas essas “loucuras” garantiram a potência de 52,6 cv, maior que o modelo anterior, que tinha 49,5 cv.
Mas não foi somente o novo motor que chamou a atenção, a caixa de filtro de ar foi realocada para a parte da frente, abrindo um bom espaço para o escapamento na traseira da moto – a caixa está na frente do tanque do combustível. A solução difere totalmente dos padrões normais, pois há quanto tempo vemos a caixa do filtro de ar na parte traseira das motocicletas? Com isso, o tanque foi fixado um pouco mais para trás do que o normal.
O escapamento possui uma curva alucinante, batizada de “Tornado System”, além de um pequeno “bomber”. Isso obrigou a fábrica a redesenhar seu amortecedor traseiro, que recebeu um novo reservatório de nitrogênio, agora na posição horizontal.
Mas as novidades não param por aí: o chassi é novo, com berço duplo, como suas concorrentes japonesas, oferecendo maior rigidez e mais maneabilidade, principalmente nas curvas.
A maioria das mudanças pode ser considerada “coisas do outro mundo”, como diria minha avó, mas com elas o modelo com certeza ganharia o “Oscar” de moto revolucionária do ano, talvez da década.
A Yamaha mudou tanto a sua 450cc, que é mais fácil falar o que foi mantido do modelo anterior, e a resposta é rápida: somente as rodas e os freios. O resto é tudo novo.
Tudo isso custou um pouco mais de peso: a nova YZ 450F agora tem 111 quilos, pouco mais de 3 kg a mais que a antecessora.
Mas nós já apresentamos essas e as outras novidades na edição 169, num teste realizado nos Estados Unidos por quatro pilotos e, posteriormente, no comparativo das 450cc (edição 173), onde a nova Yamaha acabou levando o segundo lugar, perdendo somente para a Kawasaki.
Agora, pela primeira vez desde o lançamento da Dirt Action, nós recebemos a motocicleta direto das mãos da Yamaha Brasil. E não poderíamos perder a oportunidade de realizar um teste mais completo e com mais detalhes sobre a nova YZ 450F. Vamos “viajar” nesta motocicleta para desvendar mais alguns segredos. Siga a gente:
Conhecendo a nova YZ 450F
Como regular a Yamaha – Para isso basta utilizar o GYTR (Genuine Yamaha Technology Racing) Power Tuner, que no Brasil vem junto com a motocicleta e é bem mais simples de ser usado do que os sistemas das concorrentes. Não é necessário uma bateria e nem de um notebook, o aparelho da Yamaha mais parece um “joystick” do jogo Playstation ou até mesmo um iPod: basta apenas conectá-lo em sua Yamaha e começar a “viajar”. Para o seu funcionamento são necessárias somente duas pilhas AA.
Com ele você pode regular a sua Yamaha, tornando o motor mais suave (mapa 1), mais forte (mapa 2) ou progressivo (mapa 3): só depende do seu estilo de pilotagem e da pista.
Além de regular a motocicleta, ele também possui a função de monitoramento, onde você pode acompanhar a rotação, a temperatura do motor, a temperatura da água do radiador, pressão atmosférica e posição do acelerador, além de fornecer o tempo de horas de uso da motocicleta e diagnóstico de possíveis problemas. Para vocês terem uma ideia do seu funcionamento e praticidade, utilizamos alguns mapas de regulagem neste teste que podem ser conferidos mais tarde, no item comportamento.
Limpeza do filtro – Com a mudança da caixa do filtro para a parte dianteira da motocicleta, em frente ao tanque e acima dos radiadores, vem a pergunta: como remover o filtro de ar para a limpeza? Nos modelos “tradicionais” japoneses, somente são retirados os dois parafusos do banco, mas no caso da nova YZF o trabalho é maior. Você precisa retirar seis parafusos (dois do banco, dois do tanque e dois da tampa do filtro) e levantar o tanque de combustível. Uma das dificuldades é justamente essa, você vai ter que segurar o tanque enquanto retira e recoloca o filtro. Resumindo é uma coisa do outro mundo, mas a gente acaba se acostumando (será?).
Aletas dos radiadores – Ao contrário das concorrentes, as novas aletas apresentam um desenho bem diferente e são divididas em duas peças, sendo que as partes superiores são utilizadas como coletores de ar. São mais grossas e possuem um desenho um pouco diferente. Acreditamos que isso possa ocasionar uma dificuldade maior na limpeza dos coletores, pois imagine em treinos e provas na lama ou de muita poeira, quando for obrigado a limpar os coletores.
Leia o teste completo na edição 174 da revista Dirt Action
Texto: Celestino Flaire Jr.
Fotos: Johanes F. Duarte